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Invasões estão programadas para os próximos dias

As invasões de fazendas no sul e sudeste do Pará e ao longo da rodovia Belém-Brasília já estão desenhadas para os próximos dias, antecedendo o chamado abril vermelho, quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pretende manifestar-se contr

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As invasões de fazendas no sul e sudeste do Pará e ao longo da rodovia Belém-Brasília já estão desenhadas para os próximos dias, antecedendo o chamado abril vermelho, quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pretende manifestar-se contra a morte de 19 agricultores na Curva do S, em Eldorado dos Carajás, em 1996, pela Polícia Militar, durante o governo do tucano Almir Gabriel.

Na mira das invasões, nove fazendas tidas como improdutivas na tensa região de Marabá, Parauapebas, São Geraldo do Araguaia, Eldorado do Carajás e Itupiranga. Uma delas, a Peruano, no final da semana passada, serviu de alerta para o que virá. Os agricultores que ocupam essa fazenda pressionam pela desapropriação imediata. Os proprietários de fazendas num raio de 50 km da Curva do S entraram em regime de prontidão, temendo a entrada dos sem terra.

O DIÁRIO manteve contato com líderes de vários movimentos de agricultores, mas a maioria deles, por “questões estratégicas”, não confirmou nem desmentiu a antecipação das invasões. “É nove, que você diz? Olha, pode ser o dobro, o triplo, quem sabe, só Deus sabe, né”, declarou Manoel Santos, que diz não saber nem o dia, nem a hora em que a entrada nas fazendas vai acontecer. Santos contou que ele e outros “companheiros” ocuparam, nos últimos cinco anos, quinze propriedades, mas só seis foram desapropriadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para assentamento de famílias.

“O Incra é o maior culpado pelo que acontece aqui no sul do Pará. Ele não quer fazer reforma agrária nenhuma. A presidente Dilma está brincando com a gente”, emenda José Miguel, que aguarda há três anos a vez de ser assentado em uma fazenda desapropriada em Curionópolis. O MST foi procurado para falar sobre as invasões previstas para os próximos dias, mas nenhum dirigente regional foi localizado.

Os fazendeiros que afirmam manter produtividade em suas terras reclamam da intenção política dos movimentos e da violência que costuma pavimentar as invasões. Empregados são constrangidos, ameaçados, espancados ou têm seus pertences apreendidos. O gado é roubado ou morto a tiros. Pelo menos 45 mandados de reintegração de posse de áreas ocupadas foram expedidos pelas varas agrárias da região, porém a maioria não foi cumprida pela Polícia Militar.

VERGONHA

O Incra rebate a acusação de morosidade na condução da reforma agrária, informando que em 2011 o Pará foi o estado que mais assentou sem terra no país. No total, foram 4.274 famílias. Isso vem se repetindo desde o governo de Fernando Henrique, porque se trata da região com maior área de terras pertencentes à União, que podem ser mais facilmente destinadas à distribuição entre as famílias que mais precisam de terra. O MST ataca, usando os próprios números do Incra. Em todo o país, no ano passado, foram assentadas 22.021 famílias, o mais baixo índice dos últimos 16 anos, englobando os governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula.

Segundo José Batista de Oliveira, da coordenação nacional do MST, os números do Incra comprovam que a reforma agrária não é considerada prioritária pelo atual governo. “Eles são vergonhosos”, afirmou. Das 22 mil famílias assentadas, diz Oliveira, apenas 7 mil ocorreram em áreas que foram desapropriadas especialmente para a reforma agrária. “Boa parte do que o governo põe na conta de assentamento é, na verdade, regularização de lotes fundiários, que estavam abandonados ou ocupados de maneira irregular”, arremata. (DIário do Pará)

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