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Órgãos discutem qualificação profissional

Na manhã de ontem representantes das centrais sindicais do Estado, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Pará (SRTE) e Dieese, discutiram a falta de políticas públicas para a qualificação profissional de mão de obra no Estado. A preocupação é

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Na manhã de ontem representantes das centrais sindicais do Estado, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Pará (SRTE) e Dieese, discutiram a falta de políticas públicas para a qualificação profissional de mão de obra no Estado. A preocupação é com o crescimento econômico e os grandes projetos previstos para os próximos anos, mas que dependerão de mão de obra especializada. Os 17 deputados da bancada federal foram convidados a discutir o tema, nenhum parlamentar compareceu ao evento.

A reunião, realizada no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), foi aberta por Odair Corrêa, titular da SRTE. Corrêa destacou que o objetivo do encontro era produzir um documento para mostrar aos parlamentares do estado do Pará, em Brasília, as necessidades que se tem com a questão da capacitação profissional do trabalhador.

Odair observa a necessidade de capacitar os trabalhadores do Estado, visando principalmente implantação de projetos como a exploração de gás natural, mineração, petróleo, e a construção civil, por conta dos grandes projetos como Belo Monte. “Agora tem uma demanda de 23 mil trabalhadores de carteira assinada e 80 mil indiretos, e isso é um contingente pessoal importante. E que nós temos de estar muito atentos por que o contingente de pessoas que trabalham no Ministério do Trabalho é muito pouco em relação a esse número trabalhadores no Estado”.

Crescimento

Raimundo Sena, do Dieese, destacou o crescimento no número de vagas de emprego no estado a partir do ano 2000, tendo queda durante as crises econômicas desse mesmo ano e em 2009. Nos últimos dois anos o aumento no número de empregos no Pará é visível e o colocou como o maior gerador de empregos na região Norte, respondendo por mais de 1/3 das vagas geradas em todos os estados da região no ano passado.

Ao todo foram criados em 2011, 369.777 postos de trabalho. Sendo dispensados 317.272 e mantidos 52.505 empregos. Os setores que mais empregam são serviços, com saldo de 20.008; construção civil com 13.304; e comércio com 12.414. Os números também estão concentrados nos demais municípios do Estado, 61,37%, enquanto que a Região Metropolitana responde por 38,63%.

Sena afirma que o Estado apresenta um saldo anual de 50 mil novas vagas de trabalho por ano, mesmo com todas as dificuldades. A tendência deve se manter até 2013. “Serão 400 mil novos empregos. O Pará se tornou o novo Eldorado, como na época de Serra Pelada. Mas metade disso não tem qualificação. Não podemos deixar passar esse momento. E olha que não temos a Copa, como Manaus”, observou o diretor do Dieese.

Roberto Sena destaca ainda que o Pará é hoje o 13º estado no PIB Nacional, ou seja, está muito bem colocado. “Atrás de nós vêm uma série de outros estados. Mas na hora que vamos pegar essa 13ª posição e dividir ela para a população, a renda per capita, nos somos o 22º entre os piores estados em renda. Atrás de nós estão estados que não tem a magnitude econômica que tem o Pará. Nós precisamos mudar essa economia de contrastes. Um estado rico e o povo pobre”.

Benedito Oliveira, secretario da União Geral dos Trabalhadores (UGT) lamenta que ao longo dos 10 últimos anos não houve investimentos em qualificação profissional no Estado. “Com isso tirando vagas dos trabalhadores, do caboclo nosso, deixando sempre o pior emprego e o pior salário para eles. Os melhores salários são para quem vem do Sul e Sudeste do país. É triste ver isso, não poder ver a população paraense não ocupar um cargo de ponta por que não é qualificada”.

Ausência

O convite à bancada federal foi feito em tempo hábil, garante Odair Corrêa. Segundo ele, cinco parlamentares confirmaram presença, mas até às 11h ninguém havia comparecido. “De todo modo nós vamos mandar o resultado dessa reunião para eles para que tomem conhecimento do que estamos tratando aqui em relação ao mundo do trabalho no estado do Pará”, concluiu Corrêa. (Diário do Pará)

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