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Família de operário quer indenização de empresa

Familiares e amigos velaram ontem o corpo do operário José Francisco Alves, 26 a nos, que morreu na noite de quinta-feira, 29, depois de desmaiar em uma cisterna, enquanto trabalhava na obra do Residencial Uno Tower, localizado na travessa Barão do Triunf

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Familiares e amigos velaram ontem o corpo do operário José Francisco Alves, 26 a nos, que morreu na noite de quinta-feira, 29, depois de desmaiar em uma cisterna, enquanto trabalhava na obra do Residencial Uno Tower, localizado na travessa Barão do Triunfo, entre as avenidas Almirante Barroso e João Paulo II. Existe a suspeita de que José Francisco tenha inalado gases tóxicos. Ele não usava equipamentos de segurança.

O clima no local do velório – uma igreja situada no bairro da Cabanagem – era de inconformidade com a morte prematura do rapaz. Segundo Bernardo Miranda Costa Neto, 44, pai da vítima, o operário já havia comentado que trabalhava sem a segurança necessária e que estava pensando em deixar o emprego. “Essa foi a primeira empresa que ele trabalhou, antes só fazia ‘bicos’. Ele já tinha até pensado em deixar esse trabalho”, conta. “Ele só tinha 26 anos. Tinha uma vida toda pela frente. A morte dele foi uma coisa estúpida, sem necessidade. A coisa toda é criminosa”, afirmava em meio às lágrimas.

O operário era contratado da Amazon Jet, uma empresa terceirizada que estava prestando serviços à construtora e incorporadora Authentic, responsável pelo empreendimento. De acordo com o pai da vítima, a empresa se responsabilizou pelas despesas com o sepultamento, mas a família pretende entrar na justiça. “Vamos pedir indenização. Ele era um rapaz humilde, vai deixar dois filhos, um de seis meses e outro de quatro anos. A revolta é muito grande, ele tinha que ter segurança para trabalhar”.

Um amigo da família confidenciou que o pedreiro tinha planos de deixar o serviço na Amazon Jet. “Ele reclamava que o serviço era muito puxado, que era perigoso, que pagava mal. A empresa trabalha perfurando fossa e fazendo limpeza de esgotos. Ele contava que não tinha equipamento, que tinha que entrar no esgoto sem máscara, sem luva. Ele só tava lá porque queria terminar de montar a casa”, relata Nevito Nonato da Silva, vizinho da vítima.

Colegas de trabalho de José Francisco também compareceram ontem à casa da família da vítima para prestar solidariedade. As obras do residencial foram suspensas e os operários só devem retornar na próxima segunda-feira. Um funcionário, que preferiu não se identificar, conta que a vítima demorou muito a receber socorro. “Na hora do acidente tinha ele e mais duas pessoas no local. Levou meia hora para ele ser socorrido, os operários é que tiraram ele de dentro do buraco”.

O operário deixou mulher e duas filhas, uma criança de 4 anos e um bebê de 6 meses. Visivelmente abalada, a viúva não quis dar entrevistas a nossa equipe de reportagem.

SEM SEGURANÇA

A falta de equipamentos de proteção para os operários no canteiro da obra da Authentic é denunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção e Mobiliária de Belém (Sticmb). “Essa obra já tem reincidência de acidentes, mas é a primeira vez que há uma vítima fatal. Há falta de equipamentos de segurança. O setor onde ele (José Francisco) estava precisava usar máscara e ter ventilação no local. Nada disso tinha”, afirma Francisco de Jesus, coordenador do Sticmb.

Segundo o coordenador do Sticmb, Aílson Cunha, José Francisco e outro operário entraram na cisterna das obras do prédio aproximadamente às 9h30 do dia 28, para fazer uma limpeza. Eles não usavam equipamentos de segurança para a operação, que não foram disponibilizados pela construtora, de acordo com a denúncia do sindicato.

Ao entrar numa área da cisterna, que tem cerca de 4 metros de profundidade, sentiram falta de ar e gritaram por ajuda. Um deles conseguiu sair, mas José desmaiou. Ele só foi socorrido 20 minutos depois pelos próprios trabalhadores da obra.

“Desde o acidente, a obra vem sendo paralisada. Consideramos a empresa responsável nesse caso, já que não forneceu máscaras. José era um “serviço-gerais” na empresa, não era um profissional especializado para aquele tipo de trabalho”, disse o coordenador. O canteiro de obras deve ser liberado apenas na segunda-feira (2), informa o Sticmb.

ACIDENTE

José Francisco morreu na última quinta-feira (29), por complicações, depois de desmaiar em uma cisterna, quando fazia a limpeza do local. O operário teria ficado 20 minutos à espera de socorro e foi levado para o hospital ainda desmaiado. O laudo divulgado pelo Hospital Adventista de Belém, onde o rapaz deu entrada na emergência, mostra que o estado de saúde era considerado grave. Ele foi encaminhado ao Centro de Terapia Intensiva (CTI), onde apresentou instabilidade hemodinâmica e taquicardia grave, vindo a sofrer paradas cardíacas. A vítima faleceu às 18h05 de anteontem (29), após sofrer uma para cardíaca. O DIÁRIO tentou contato com a empresa Authentic, mas não conseguiu até o fechamento da edição. (Diário do Pará)

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