A passos lentos, as ruas ainda silenciosas da Cidade Velha iam se enchendo de fiéis. Do alto da multidão que se dirigia da Igreja do Carmo até à Catedral Metropolitana de Belém na manhã de ontem, as folhas verdes balançavam em sinal de festa. Ora entrelaçados em forma de trança, ora amarrados com fitas e flores, os ramos marcavam a procissão que dá início ao período da Semana Santa para a comunidade católica.
Segundo o arcebispo metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira, a Procissão de Ramos representa a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. “Sempre fizeram essa celebração para dizer que Jesus é bem-vindo. Os ramos verdes expressam a vida e essa homenagem a Jesus é para dizer que ele é bem-vindo em nossa cidade”.
Antes mesmo do início da procissão, que iniciou às 8h30, essa celebração era representada. Nas mãos de quem descia dos ônibus ou dos que andavam pelas ruas, os ramos colhidos para participar da procissão e das várias missas que aconteceram pelas igrejas de Belém eram vistos. Aos 72 anos, o aposentado Manoel Brito colheu o ramo que levaria na procissão na praça. “Eu sempre acompanhei a procissão, faço isso há muitos anos”, lembra o fiel. “Esse ano eu vim sozinho, trouxe o ramo para ser abençoado e vou entregar à minha mãe, que está com 93 anos e não pode mais vir”.
Das mãos da microempresária Carla Costa, o símbolo também já tinha destino certo. Abençoado durante a missa e companhia durante toda a procissão, o ramo enfeitado com um laço branco descansaria, ao final da festividade, na entrada de sua casa. “A procissão traz uma paz de espírito muito grande. Faz parte da nossa religião e já nos prepara para a Páscoa”, emociona-se. “Vou colocá-lo (o ramo) na porta da minha casa pra que possa nos abençoar”.
Ao longo da caminhada, as folhas também estavam lá. Amarradas em postes ou nas casas que ficavam no percurso, marcavam a presença dos fiéis que davam boas-vindas a Jesus.
Além dos cânticos e do cheiro de incenso que os acompanhava durante a procissão, em alguns momentos, também vinha o silêncio. Entre uma oração e outra, só o que se ouvia pelas ruas estreitas era o som dos pés que caminhavam.
FÉ
Mesmo com os passos lentos, o dentista Walter de Souza fez questão de cumprir a tradição, já mantida há trinta anos. Mesmo com a perna machucada e envolta em uma estrutura de ferro, sua expressão não demonstrava dor. “A fé nos traz esperança de cura. Essa caminhada me dá um sentimento de renovação”. A fé também dava força para a doméstica Luzia Cruz, 61 anos. “É uma emoção muito grande. É muito bonito louvar ao Senhor. A procissão foi encerrada com uma missa na Catedral, que ficou pequena diante da grande quantidade de pessoas.
Igreja das Mercês será elevada a Santuário
Assim que o tecido que cobria o novo ostensório da Igreja das Mercês foi retirado, o templo foi tomado pelas palmas dos fiéis que, ajoelhados, adoravam a Jesus sacramentado. O objeto, apresentado à comunidade católica na manhã de ontem, foi confeccionado pelo artesão paraense Afonso Falcão. Tem 1,80 metros e é feito em cedro e com revestimento de folhas de ouro.
Idealizador da peça litúrgica que ficará reservada no Altar-Mor da igreja, o reitor da Igreja das Mercês, Sebastião Fialho, espera que, a partir da exposição do objeto, as adorações a Jesus possam acontecer de forma intermitente. “A igreja (das Mercês) é de adoração. Desde 1640, quando foi inaugurada, as pessoas vêm adorando Jesus sacramentado aqui”, afirma.
Para acompanhar o tamanho da peça, a hóstia que ficará exposta no ostensório também tem um tamanho diferenciado. Encomendada às religiosas do Carmelo de Santa Teresinha de Benevides, a hóstia possui 40 centímetros de largura.
Segundo o arcebispo metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira, a elevação do novo ostensório ao altar da Igreja das Mercês faz referência a titulação que a igreja deve receber nos próximos anos. “A Igreja das Mercês será o Santuário de Adoração Perpétua de Belém a partir de 2016”, afirmou. “Já estamos fazendo a experiência de adoração. Queremos valorizar a adoração eucarística na arquidiocese a partir disso”.
Segundo ele, a elevação da igreja em santuário deve ser conquistada a partir da realização do 17º Congresso Eucarístico que deve ser realizado em agosto de 2016. “Essa igreja que em tantas épocas acompanhou a história de Belém não esperou até 2016 para que aqui seja o lugar onde os joelhos se dobrem diante de Jesus sacramentado”. (Diário do Pará)
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