Em uma sexta-feira, há 1979 anos, Pôncio Pilatos, no seu pretório (espécie de tenda), teria lavado as mãos diante de Jesus Cristo. Segundo a Bíblia, Jesus teria sido condenado à crucificação pela mesma multidão que o saudou às portas da cidade no domingo anterior. A partir daí, Cristo teria sido amarrado a uma grande cruz de madeira. Ele foi desumanamente maltratado enquanto carregava seu fardo pelo longo caminho até o calvário, local de sua morte.
Ontem à tarde, na Basílica de Nazaré, em Belém, fiéis relembravam em procissão a caminhada que ficou conhecida como via-crúcis. Em tradução literal, “o caminho da cruz”, graças à tradição, se tornou Via Sacra: O caminho sagrado. A multidão caminhava lenta pelas laterais da Basílica, ecoando rezas atrás do estandarte que representava a cruz de Cristo.
Segundo o padre reitor da Basílica de Nazaré, José Ramos Mercês, a Via Sacra relembra os 14 momentos por onde Jesus passou antes de ser crucificado. “É uma tradição popular marcada pela lembrança do início da vida cristã”, explica o padre José Ramos. De acordo com o padre, a Semana Santa e a Páscoa são períodos em que os cristãos confirmam os votos do batismo.
FIÉIS
Roberto Bandeira, de 77 anos, aposentado, afirma que todo ano vai à Basílica participar do momento de oração. “A Semana Santa é um tempo pra relembrar a vida como ela é. Nós devemos fazer o bem, o melhor possível”, declara o aposentado.
Já Maria Menezes, 75 anos, também aposentada, afirma que é importante lembrar o sofrimento de Cristo para que possamos lidar com os nossos. “Muitas vezes a gente passa por um constrangimento, tem um probleminha, pode ser só uma gripezinha, e pensa que é algo sério. Não sabemos lidar com sofrimento, mas podemos aprender muitas lições através dele”, afirma Maria Menezes.
Mutirão das confissões também levou fiéis às igrejas
Uma longa fila de fiéis se estendia da lateral esquerda até bem próximo ao altar, ontem à tarde, na Basílica de Nazaré. O destino era o mesmo: o confessionário onde se encontrava o padre reitor José Ramos Mercês. O mutirão de confissões realizado na Basílica atraiu cerca de 1.500 fiéis que buscavam se redimir dos seus pecados.
De acordo com o padre reitor, assim como a igreja da Sé, que realizou um mutirão de confissões na última terça-feira, a Basílica também estava atendendo fiéis em busca de perdão. Oito padres fixos da Basílica, contando com a ajuda de outros padres auxiliares, estavam atendendo as centenas de fiéis que iam até a igreja. “Como a Basílica é a igreja mais famosa da cidade, muita gente vem até aqui. Nós esperamos ainda mais pessoas. O movimento deve aumentar a partir das 18h, que é o horário em que as pessoas saem do trabalho e da escola”, explica o padre. Hoje, confissões só nas igrejas das paróquias. (Diário do Pará)
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