No porta-retrato da casa a definição de família: “Duas ou mais pessoas que cultivam a arte de conviver.”. Na foto, Maria Luzia Silva, 55 anos, funcionária pública e Braselino Silva, 56 anos, bancário, abraçam sorridentes a neta Fernanda, de 3 anos. O casal tem quatro filhos e cinco netos. Ontem à tarde, todos se reuniram para vivenciar a Sexta-Feira Santa. Preservar as tradições do dia é o motivo, e também o pretexto, que leva a família a se juntar e experimentar uma das principais razões que tornam tão especial a fé: celebrar a união.
Quem nos recebe à porta é a pequena Fernanda, devidamente ornamentada com orelhas de coelho, ela pulava muito para fazer jus à fantasia. A televisão ligada sintoniza o sermão das sete palavras. Mais cedo, os espectadores estavam na procissão do Senhor dos Passos, onde ocorreu o encontro da imagem com a de Nossa Senhora das Dores. “Nós cumprimos todos os ritos. Somos muito unidos mesmo”, diz dona Luzia, que recebeu a equipe do DIÁRIO em seu apartamento, no bairro da Pedreira, em Belém.
Louise Silva, 30 anos, promotora pública, é a mãe de Fernanda. A tradição de se reunir na Sexta-feira Santa vem de tanto tempo que ela nem se lembra da memória mais antiga. “Eu realmente não lembro. A gente se reúne desde sempre”, afirma a promotora que, junto com a família, participou também das Três Horas de Agonia, que relembraram o anúncio da morte de Cristo.
Dona Luiza e seu Braselino são de Vigia e Cametá. Os dois se encontraram em Santarém e não se largaram mais. Costume interiorano trazido para a cidade grande, o hábito de comer peixe ganha um significado especial na Sexta-Feira Santa. No cardápio do almoço, havia suflê de bacalhau, pirarucu de casaca e gurijuba.
O costume de ir à missa e preservar as tradições católicas está sendo passado desde cedo para os netos. A correria de crianças no apartamento também aconteceu mais cedo na missa. “É uma dificuldade controlar eles quando estão juntos”, diz dona Luzia enquanto segura um dos netos no colo e tenta atender o chamado de outro.
A cesta para o almoço de Páscoa já está cheia de ovos de chocolate. “O ovo representa vida nova. Ele é um sinal de ressurreição e serve para lembrar o amor de Cristo”, explica a funcionária pública. O difícil vai ser segurar a ansiedade das crianças e a integridade dos ovos até o almoço de amanhã. (Diário do Pará)
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