O roubo de gado bubalino de propriedades rurais na região do Marajó é histórico e vem sendo combatido nos últimos meses pelos fazendeiros em parceria com a polícia. Ocorre que a questão vem extrapolando o dano material dos proprietários e pode gerar um prejuízo bem mais grave: o roubo desses animais pode comprometer seriamente a erradicação da febre aftosa no Pará, prejudicando a economia do Estado como um todo.
No final da década de 80 do século passado o Brasil, juntamente com 174 países, assinou um acordo se comprometendo a erradicar a febre aftosa. Em seguida, foi criada a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) que criou um código zoosanitário internacional a qual esses países teriam que estar submetidos. “A erradicação da febre aftosa não é um programa apenas do Pará, mas internacional, onde o Brasil é signatário. O governo brasileiro tem o compromisso ainda esse ano de livrar nosso país dessa doença”, diz Carlos Xavier, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa).
Ele lembra que recentemente o Pará passou por uma auditoria do Ministério da Agricultura e da OMSA. “Foi autorizada a sorologia, mais uma etapa para chegar à zona livre. Ocorre que se esses roubos continuarem podem atrapalhar o Pará e o Brasil, impedindo que atinjamos esse status de zona livre”, teme.
IMPORTÂNCIA
Pela importância da agropecuária na economia do Pará o combate ao comércio da carne clandestina nunca foi tão importante como agora, já que os animais roubados não dispõe da Guia de Trânsito Animal (GTA), exigência da OMSA para identificar os animais em trânsito de uma propriedade para o abatedouro. “No caso do Marajó, esses animais roubados são abatidos ainda na região e a carne trazida para Belém para ser trocada por drogas e produtos roubados na capital, que retornam ao arquipélago. Isso coloca em risco tanto a sociedade como a erradicação da febre aftosa”.
Xavier lembra que “o governo somos todos nós”, e o combate a esse tipo de prática só será possível com o apoio da população e parceria com o setor produtivo. A Faepa criou recentemente o Núcleo de Apoio Empresarial (NAE), que desenvolve atividades de orientação quanto a conflitos originários de ameaça e invasão de propriedades, crimes ambientais, fundiários e agrários.
“Fazemos um trabalho conjunto com as Polícias Civil e Militar, Adepará, Ministério da Agricultura e Sagri. Levantamos as propriedades que já foram atacadas e as que têm risco de serem roubadas e levamos ao conhecimento do poder público”, diz. Na última quarta-feira, Carlos Xavier esteve reunido com o vice-governador Helenilson Pontes, e expôs a situação. “Temos hoje duas regiões sendo avaliadas, o Marajó e o Baixo Amazonas, que precisam avançar em seu estado sanitário. A área de segurança pública tem nos apoiado e se mostrado comprometida em impedir esses roubos de animais no Marajó”.
Diretor da Faepa, Antônio Araújo é produtor rural. Possui fazendas de gado bubalino nos municípios marajoaras de Soure e Chaves. Ele conta que em 2011 o roubo de búfalos na região chegou ao ápice. “Muitos fazendeiros chegaram a deixar o ramo. Quem tinha gado vendeu e não mexeu mais com o negócio. O búfalo é um animal dócil. Dois bandidos podem roubar até uma manada de 100 búfalos sozinhos e esse é um complicador”.
O produtor revela que o município de Santa Cruz do Arari concentra o maior número de bandidos. “Ocorre que gente graúda nesse município dá cobertura aos bandidos, tornando o combate bem mais difícil. Então procuramos a secretaria de Segurança Pública que nos colocou em contato com o Comando da PM no Marajó e começamos um trabalho para coibir esses roubos”.
Para ajudar no trabalho de policiamento, os pecuaristas compraram duas “rabetas” a diesel e doaram à polícia através de um convênio. “Quando ocorria um roubo, o fazendeiro acionava a Faepa e acionávamos a polícia”. (Diário do Pará)
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