Para quem gosta, essa é uma época de perdição alimentar. Exageros. Os chocolates tomam conta de tudo durante a Páscoa. Não há como escapar, os que já eram bons ganham versões mais caprichadas, embalagens mais atrativas e brindes encantadores. Compre chocolate, compre! Como já diziam. Em qualquer lugar é possível encontrar o doce, nem que seja um bombonzinho. E quando chega o domingo? É ovo de Páscoa para todo lado. Os dias vão passando e os chocolates continuam infestando as geladeiras. São pedaços e mais pedaços do que ainda resta dos ovos.
Hoje, só não acha o chocolate perfeito quem não quer. A variedade é tamanha que é difícil não agradar os paladares. E ainda tem aqueles sabores especiais para quem tem restrições alimentares. Ovo Diet, Zero e de Soja. É isso, mesmo. Já tem ovo para todo mundo. Zero açúcar, zero lactose, ou que tal usar leite de soja? Para quem segue dieta, a ideia é irrecusável. Para os diabéticos é um alívio. O importante é não ficar sem chocolate.
Diabética há 50 anos, a aposentada Hordenis Eleutério só come ovo diet ou amargo. “Eu sou formada em arte culinária, fazia muitos doces. Há nove anos parei, quando meu marido morreu. Hoje, chocolate só se for diet”, afirma. Mas dona Hordenis admite que não fica na vontade. “Além de diabética, sou hipertensa. Minha alimentação é toda controlada. Meu médico já disse: quando der vontade de come um doce, como um pouco porque é o meu corpo que está pedindo”, revela.
E se o prazer que esse docinho dá for tão grande, dividir pode ser uma tarefa árdua. Érika Coelho tem 35 anos, é casada e tem dois filhos. Mas o chocolate dela é dela e só. “Eu não gosto de repartir o meu chocolate nem com os meus filhos. Eu como sempre, se não tiver nenhum vou para cozinha fazer um brigadeiro”, conta. A Páscoa é a época mais esperada do ano por ela, é quando chove chocolate. “Chocolate me faz bem, serve como calmante. Na Páscoa, eu como uns três ovos e mais uns pedacinhos dos outros. Teve um ano que eu até adoeci”, admite.
Mas se o chocolate for preferência da família inteira, o melhor é dividir. A pequena Vitória, de dois anos, é irmã do Pedro Victor, de sete, e os dois mal podem esperar para abrir os ovos. “Cada um ganha dois da gente, ainda ganham dos avós, dos tios e também os que trocam em amigos invisíveis na escola, no final das contas passam uns 30 ovos nessa casa”, relata a mãe, Brenda Tavares.
O pai das crianças, Daniel Beleza, acredita que as crianças gostam mais dos brindes que do chocolate. “Os meninos comem, mas escolhem o ovo pelo brinde, quem gosta mesmo é a mãe”, revela rindo. O chocolate que Pedro Victor mais gosta só chega na Páscoa. Quando ele ganha o ovo, é uma felicidade só. “Eu gosto muito de Kinder Ovo, mas o chocolate dele só tem nessa época, espero o ano todo por ele”, conta ele, lembrando da primeira páscoa. “A primeira páscoa dele foi com 2 anos e ele ganhou muitos ovos, foi muito paparicado, porque foi o primeiro filho, o primeiro neto, enfim, estava sendo muito esperado”, diz a mãe. (Diário do Pará)
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