Belém cessou o ritmo no feriadão. Ficou mais lenta, mais calma. Ontem pela manhã e parte da tarde, era uma cidade possível. Sem estresse, sem trânsito, distante de qualquer clima que beirasse a preocupação. E com muitas opções de lazer gratuitas ou quase de graça para quem resolveu, por opção ou falta de escolha, ficar por aqui.
Por fora ninguém dizia, mas quase três mil pessoas foram aproveitar as atrações do Jardim Botânico Bosque Rodrigues, no bairro do Marco. Nas trilhas cercados por árvores de todas as espécies da região amazônica, o Grupo Tear atraía o público para a encenação da “Paixão de Cristo”.
Na brinquedoteca, a criançada ouvia a contação da história “Vivinho, o coelho que não era páscoa” ou participava das oficinas de garrafas pet para confecção de enfeites da páscoa. E não apenas isso. Os pequenos, principalmente, se encantavam ao longo dos 15 mil metros quadrados do parque a cada curva com algum animal que aparecia pelo caminho. Com a família de macacos, com a dupla de araras, com os peixinhos, as árvores. Eram sempre novos amiguinhos. A cada aparição, dezenas de celulares se erguiam para registrar e perpetuar o encontro com os bichos. Antes de tocar, era preciso, primeiro, fotografar.
Letícia Amanda, 8 anos, não queria saber de fotografias. Queria mesmo tocar em um dos macaquinhos que surgiam, brejeiros e cheios de esperteza, diante dos olhos dela e de outras crianças. A turminha acompanhava, curiosa, todos os movimentos. “Achei eles engraçadinhos”, resumiu a pequena Letícia. A mãe, a cozinheira Maria de Fátima Gomes Dias, de 28 anos, veio de Marituba para fazer uma programação família com Letícia, o namorado e o sobrinho. “É um lugar divertido e educativo pra criança, é legal pra passar o dia”, disse.
Benício Siqueira, de 1 ano, mal pisou no chão de areia do Bosque e já ficou todo feliz. Acompanhado pelos olhos vigilantes da madrinha Emiliana, 29; da avó Nazaré, 56; e do avô João, 56, parecia carregar a plena certeza de ter um paraíso repleto de aventuras só para ele.
“O Bosque deixa um clima bem gostoso pra andar. E no feriadão a cidade fica bem mais tranquila. Praia deve tá muito lotada. Aqui o ambiente é bastante tranquilo”, compara a técnica em informática Emiliana Siqueira. Calmaria só quebrada pela agitação e gritaria da criançada que se divertia em grutas, castelos e passeios de canoa pelas águas do Lago da Iara. E muito mais.
VER-O-RIO
No Ver-o-Rio quase um deserto a impor na paisagem. No ponto turístico não tinha praticamente ninguém. Além das contadas famílias, só os jovens casais apaixonados a namorar. E com o rio como cenário. O motorista de ônibus Daniel Guimarães, de 26 anos, se pudesse estaria bem longe de Belém.
“Na praia, ou no igarapé que é bem melhor”, desejava. Mas o trabalho não deixou. Tinha de se apresentar no serviço, pontualmente, às duas da tarde. Longe do cenário ideal, pegou a namorada Ana Caroline, 16, e foi ao menos ver o rio. Sem deixar de namorar também.
Na praça Batista Campos, pouca gente apareceu. Parecia que além do Bosque todo mundo tinha resolvido ir para a Praça da República. Famílias descansavam na grama, casais namoravam. Amigos conversavam. Artistas se apresentavam em palcos improvisados ou qualquer cantinho. Crianças corriam, brincavam. A cidade vivia.
O comércio seguia a todo vapor. Pelo menos para alguns. “Vendi 40 bolsas só agora de manhã”, comentava a artesã Marla Fonseca, 60 anos. E ela tem motivo para comemorar. “A Praça da República é sempre uma incógnita. A gente vem pra cá e não sabe o que vai acontecer”, afirmava.
Por opção, Roberto Santos, de 37 anos, decidiu fugir dos balneários e estabelecer o descanso na cidade. “É muito sufoco. Na quinta-feira, eu já tive a experiência de ver o trânsito na saída da cidade todo congestionado. Pensei: O centro deve tá uma maravilha”, lembrou. O domingo entrou logo na agenda. “Passear na Praça da República”. A família aprovou. “Tá bom aqui”, elogiava o filho mais novo Joel, de 11 anos.
Era feriado e Belém tinha se tornado mais habitável para dona Marla. “A cidade fica com cara de cidade”, dizia. (Diário do Pará)
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