A Páscoa vai ser sempre um dia triste para a família de Plabo Silva. O garoto de quatro anos morreu afogado ao cair na cisterna de uma Estação Elevatória de Esgoto da Cosanpa, no bairro do Cabanagem, no último domingo (04).
Na tarde de ontem, a direção da Cosanpa deu explicações a respeito do acidente em coletiva de impressa. O terreno onde ficam os seis poços da cisterna estava sem proteção, sem grades e com o portão destrancado. O presidente da Companhia, Antônio Braga, esclareceu que, sempre que substituídas, as grades que protegiam os poços eram logo furtadas. “Aquela era uma estação que deveria funcionar sem ninguém, pois ela é automatizada. O problema é que roubaram os motores, as grades de proteção, e nós fomos obrigados a colocar um operador e um vigilante para garantir a segurança”, explica Antônio Braga.
Ontem à tarde, no local do acidente, funcionários contratados pela Cosanpa terminavam de tapar os poços com ripas de madeira que deverão ser substituídas por concreto. Régis Cley Brito, 34 anos, técnico em eletrônica, mora há quatro anos em frente à cisterna, na rua Benjamin com rua do Fio. Ele conta que, quando chegou ao local, os poços da cisterna já estavam sem grades.
“Morre o boi para o bem do urubu. Depois do acidente, não adianta mais fazer nada”, afirmou. Um morador que não quis se identificar afirma que o terreno está sem proteção há muito tempo. Ele confirma a informação de que as grades foram roubadas, mas diz que nenhuma providência havia sido tomada antes do acidente.
Antônio Crisóstomo, diretor de Operações da Cosanpa, diz que, há pelo menos quatro anos, grades foram colocadas nos poços, mas também teriam sido furtadas. Antônio Braga afirma que um boletim policial foi aberto para descobrir os responsáveis pelo acidente. O vigilante de plantão, segundo o presidente, já havia pedido para que as crianças se retirassem do local. Quando o vigilante foi para a casa nos fundos, na hora da chuva, os meninos teriam voltado, momento em que ocorreu o acidente.
“Nós estamos vistoriando as outras seis estações elevatórias e vamos colocar vigilância 24 horas para evitar novos acidentes”, afirma o presidente, que também deve pedir à Secretária de Segurança do Estado reforço do policiamento na estação da Cabanagem.
A casa de Valdelias Silva Chagas, 38 anos, pedreiro, e Deiseane Pereira da Silva, 23 anos, dona de casa, é só tristeza. Os pais de Pablo têm outros cinco filhos e moram numa casa muito humilde, perto da cisterna. A mãe está sob efeito de calmantes. O pai, que se atirou para salvar Pablo, volta ao trabalho segunda-feira e tenta conviver com as lembranças. Ele esperava mais da empresa. “Vou buscar meus direitos. Não foi o filho de nenhum cachorro que morreu, não”, se queixa. (Diário do Pará)
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