A repercussão sobre a aprovação de aborto de bebês anencefálos pelo STF dividiu opiniões e levantou um debate sobre as delimitações do que é vida ou não. Há quem tenha comemorado o resultado e aqueles que lamentam a decisão do STF. Para o ginecologista Hamilton Franco Júnior ,quem ganha com a decisão é a mãe. “O amparo legal, garantido com está votação, permite à paciente definir os rumos de sua própria vida. Existe, sim ,um tratamento, mas é paliativo. Existe ali a certeza de que logo haverá um óbito. A mãe é quem deve ter esse livre arbítrio”, explica.
Segundo ele, existem muitas questões envolvidas que vão além do cunho religioso. “Cada caso merece ser analisado como único. Há desde questões financeiras, afinal cuidar de um bebê sem vontade própria e em estado vegetativo exige recursos, até o lado psicológico. Têm pacientes que preferem não ver o bebê para não sofrer quando ele se for e até mesmo aquelas que temem a própria vida na hora do parto”, enfatiza.
Para a Igreja Católica, o discurso no qual se basearam os votos da maioria dos ministros está fundamentado em valores jurídicos que pretendem impor os limites da existência de vida em um ser humano com limitações. “A vida tem valor em si mesma, a própria existência explica o que é vida. Não é por que falta um órgão ou um membro que este ser deve ser diminuído, anulado. Ninguém pode determinar esse valor ou interromper este processo divino”, desabafa o interlocutor da igreja para este assunto no Pará, Padre Ronaldo Menezes.
A decisão divide opiniões. Para a estudante Rafaela Brito, 21 anos, a mulher deve garantir que a criança chegue ao mundo e fazer o possível para garantir uma vida,ainda que curta, de qualidade. “Ninguém tem o direito de escolher se uma criança deve vir ao mundo, ainda que tenha problemas de saúde, ou falte algum órgão”, afirma. Por outro lado, o representante comercial Júlio César da Silva, acredita que a mãe tem total responsabilidade sobre a própria vida e do ser humano que está dentro dela. “Precisamos garantir que elas tomem esta decisão. Muito além do caráter religioso existe a liberdade de cada um”, ressaltou.
O SUS deverá garantir o suporte médico para a mãe. (Diário do Pará)
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