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Greve também em Ananindeua e Marituba

A Grande Belém dormiu já sabendo que esta quinta-feira (10) não seria fácil. Menos de 24 horas após o anúncio de greve dos rodoviários de Belém, foi a vez dos cobradores e motoristas de Ananindeua e Marituba decidirem cruzar os braços. Em assembleia reali

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A Grande Belém dormiu já sabendo que esta quinta-feira (10) não seria fácil. Menos de 24 horas após o anúncio de greve dos rodoviários de Belém, foi a vez dos cobradores e motoristas de Ananindeua e Marituba decidirem cruzar os braços. Em assembleia realizada ontem, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba (Sintram), a categoria recusou a proposta da patronal, que previa um reajuste linear (sobre todas as reivindicações financeiras), vinculado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), um aumento na prática equivalente a 4,88%.

A decisão oficial saiu por volta das 19h30, mas durante todo o dia, os rumores davam conta de uma paralisação geral nos três principais municípios que compõem a região metropolitana de Belém.

Juntas, Ananindeua e Marituba, concentram, de acordo com o Sintram, cerca de três mil trabalhadores responsáveis por conduzir uma frota de 800 ônibus. Pelas estimativas do Dieese, apenas os dois municípios reúnem aproximadamente 400 mil usuários. Se cumprida for a decisão do Tribunal Regional do Trabalho, que determina a manutenção de 50% do serviço, pelo menos 200 mil pessoas sofrerão com a paralisação. Somados aos usuários de Belém, chega-se a 700 mil de usuários afetados (metade de 1,4 milhões, número total de passageiros).

TRABALHO

Os rodoviários, que inicialmente exigiam 20% de reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho, chegaram a ceder durante uma reunião que pôs frente a frente representantes de empregados e patrões, no auditório da sede do Passe Fácil, durante a tarde. Diante da proposta do Setrans-Bel, que ofereceu um reajuste muito abaixo da expectativa da categoria, o Sintram apresentou uma contraproposta, que prevê um reajuste menor, no valor de 10%; equidade com Belém no auxílio clínica (hoje, R$ 139, valor que pode aumentar em pelo menos 15%) e vale alimentação no valor de R$ 380 (a reivindicação inicial era de R$450). Ainda assim, não houve acordo.

O Setrans-Bel precisou encerrar a reunião em virtude do compromisso de negociação com os rodoviários de Belém e o Sintram seguiu para a assembleia, que optou pela paralisação a partir da meia noite de ontem. “A proposta apresentada é inaceitável. Por intransigência dos patrões, amanhã [hoje], Ananindeua e Marituba amanhecem com os rodoviários em greve. Os salários estão muito achatados. Isso precisa mudar”, disse Márcio Amaral, presidente do Sintram, que afirmou que a ordem judicial será cumprida. Entre os rodoviários, porém, o clima era menos amistoso. “É greve geral. Ônibus zero nas ruas”, gritava um manifestante mais exaltado.

MARCHA

Após a votação, os rodoviários seguiram em marcha até à Arterial 18. Por onde passavam, chamavam a atenção da população, que já temia as consequências da decisão. “Se com a greve só em Belém já foi difícil. Amanhã [hoje], será impossível. Tudo vai parar”, previa a comerciária Lucinda Campos. A doméstica Ednéia Gomes já se planejava. “Vou ter que ligar para a minha patroa. Vai ser o jeito ela vir me pegar em casa. Com greve. não tem como pegar ônibus. Além de custar, eles passam entupidos de gente”, desabafou a mulher. que mora no conjunto Guajará.

Em virtude da reunião com os rodoviários de Belém, a Setrans-Bel deixou a reunião sem dar entrevista. Limitou-se a dizer que havia apresentado a proposta aos trabalhadores e que eles avaliariam. Segundo o Sintram, uma nova reunião entre os sindicatos teria ficado marcada para às 14 horas de hoje, no mesmo local, mas com o anúncio da greve não sabiam se seria mantida.

COMO ESTÁ HOJE

- Salário de R$1.174,79 para motoristas e R$ 644,28 para cobradores, por sete horas trabalhadas.

- Vale refeição no valor de R$ 310.

- Auxílio clínica de R$ 38 mil.

O QUE PEDE A CATEGORIA

- Reajuste salarial de 10%.

- Aumento do vale refeição para R$380.

- Auxílio clínica com valor equiparado a Belém (R$139 mil sem o aumento de 15% proposto pela patronal).

O QUE OFERECE A PATRONAL

- Reajuste linear (destinado a todas as reivindicações financeiras) vinculado ao INPC, no valor de 4,88%.

(Diário do Pará)

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