Ontem, quinta-feira (15), em frente ao Hospital de Pronto-Socorro Mário Pinotti, no bairro do Umarizal, dezenas de profissionais se utilizaram do sarcasmo para manter a paralisação que hoje completa 5 dias. No local, uma imagem em tamanho real do prefeito Duciomar Costa era enterrada num caixão, vestida como técnico de enfermagem, para expressar a indignação dos servidores com o descaso da saúde. “É impossível trabalhar, falta estrutura básica de atendimento, pacientes cirúrgicos em enfermaria sem banheiro. Faltam instrumentos e até lençol, pois um dia precisava trocar a colcha de 36 pacientes e só havia 8 lençóis disponíveis”, diz Alessandra Rodrigues, à frente da mobilização.
A presidente da Associação dos Servidores de Saúde no Município de Belém (Assesmurb), Rosana Oliveira, complementa: “Há uma superlotação com pacientes idosos em colchonetes no chão, pacientes portadores de tuberculose junto com idosos no corredor, pacientes em cima de macas em áreas de serviço por falta de espaço, crianças e espaço no setor de urgência, o que é errado, porque as crianças devem ser atendidas na pediatria”.
A mobilização exige melhores condições de trabalho, isonomia do vale-alimentação no valor de R$ 220,00, reintegração da HPS, gratificação especial para servidores de urgência e emergência e é contra a privatização da saúde. A ideia do comando de greve é fazer com que outras unidades também façam parte do movimento.
Segundo os funcionários do PSM Mário Pinotti, os atendimentos mais urgentes e curativos continuam sendo feitos, com 30% do efetivo de técnicos. Mas, no Hospital de Pronto-Socorro do bairro do Guamá, aguardando informações sobre a sobrinha de 19 anos que foi ao local com muitas dores no abdômen, Raimunda Aguiar também temia que a jovem sequer tivesse sido atendida. “Agora não nos deixam mais entrar, dizendo que é para não tumultuar, mas acho que é para a gente não ver o que está acontecendo de fato lá dentro. E, enquanto isso, ficamos aqui fora nessa expectativa horrível”, afirmou. “Já vi esse hospital cheio, mas hoje está o fim. É muito doente pra pouco médico, pouco espaço”, disse, indignada, a costureira Maria de Nazaré Cardoso.
A secretária municipal de Saúde, Sylvia Santos, garantiu que 90% dos funcionários estão trabalhando e descarta a adesão de funcionários do PSM do Guamá. “Marcamos uma reunião de negociação na última segunda-feira e chamamos representantes das associações, mas eles não compareceram”, disse. A secretária afirma também que os atendimentos estão sendo feitos. A Sesma afirma que o vale-alimentação passará do valor de R$160 para R$220. O retorno da contribuição HPS (Hospital Pronto-Socorro) volta ainda este mês e o adicional de turno terá o cálculo reajustado.
(Diário do Pará)
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