O verão amazônico, que oficialmente teve início na última quinta feira, mostrou a que veio na tarde de sexta-feira (22), quando uma forte chuva caiu sobre Belém mudando o cenário da cidade. Mais que a já conhecida formação de pontos de alagamento, a chuva, que se intensificou pouco antes das 16h, provocou trovoada, ventania e causou prejuízo a muitos moradores do bairro do Marco.
A rotina dos moradores da passagem São Francisco foi complemente mudada. O lugar, que é marcado pela tranquilidade, ficou agitado depois que várias casas ficaram destelhadas. “Eu estava na rua jogando bola quando o vento levantou o telhado das casas. Vi tudo rodando para cima e corri pra casa com medo”, relembra o pequeno Carlos Alberto de Andrade, de apenas 10 anos de idade. “Hoje [ontem] eu vi que a gente é muito pequeno diante da natureza. Essas pernas-mancas voavam como se fossem pedaços de isopor”, completa o radialista Luis Guilherme Costa, que da janela de seu apartamento viu parte do telhado da casa da vizinha parar sobre a fiação elétrica da passagem em que mora há quatro anos. “Nunca vi nada igual”.
Cerca de 40 minutos depois do ocorrido, a doméstica Eliana Santos, 56 anos, ainda tentava se recuperar do susto. “O problema não foi nem tanto a chuva, mas o vento, que foi muito forte. Em questão de segundos, parte do meu teto caiu bem onde eu estava. Graças a Deus, ninguém se machucou. Foi só prejuízo material, que depois a gente dá um jeito de resolver”, conformava-se Eliana.
Às proximidades do canal da José Leal Martins, os moradores também vivenciaram transtornos causados pelas chuvas. Mas lá o problema é recorrente. Moradora da área há 50 anos, a aposentada Elizabeth Viana, 67 anos, precisou enfrentar a água no meio da perna para sair de casa. “Aqui não tem jeito, sempre foi assim o jeito é enfrentar a água”, reclamava.
A lentidão do trânsito continuou mesmo depois do fim da tempestade. “Encheu muito dos dois lados. Eu tinha quatro entregas para fazer, precisava passar e arrisquei, mas enguiçou e não saí de jeito nenhum”, lamentava o motorista Pablo Araújo, enquanto esperava pelo reboque da van que dirigia e ouvia a reclamação dos motoristas mais impacientes.
De acordo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia no Pará, a chuva que caiu na tarde de ontem na capital paraense atingiu o pico de intensidade às 16h, alcançando 39,2 mm, o que a classifica como muito forte, com índice pluviométrico de 51,4mm. “Considerando que a média histórica para o mês de junho é de 156 mm, podemos dizer que em duas horas choveu um terço do que era esperado para todo o mês”, explicou o coordenador do Inmet, José Raimundo Abreu. Em relação à rajada de vento que provocou medo nos moradores da passagem São Francisco, Abreu argumenta que houveram rajadas de 40 km/h, um valor que está acima da normalidade. Para os próximos dois dias, afirma o especialista, há previsão de chuva, mas de fraca intensidade.
(Diário do Pará)
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