Cerca de 150 indígenas mantêm a ocupação, pelo terceiro dia, de uma das frentes de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Eles reivindicam o cumprimento de condicionantes impostas pelo Ministério Público (MP) para a construção da Usina. O protesto é pacífico e representantes da Norte Energia (NE) – empresa responsável pela implementação e operação da Usina – devem fazer contato ainda hoje para as negociações.
O local ocupado é a Ilha Marciana, situada no sítio Pimental, que fica em Vitória do Xingu, a 70 km de Altamira. Segundo informações do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) – consórcio de empresas contratadas pela NE para a realização das obras – não houve conflitos ou episódios de violência durante a ocupação, mas as obras no sítio foram suspensas no expediente de hoje para evitar possíveis tensões.
As reivindicações dos ocupantes dizem respeito, principalmente, ao cumprimento de condicionantes para a obra, como a demarcação de terras indígenas, a construção de estradas até as aldeias e a distribuição de suprimentos para as aldeias afetadas. Essas condicionantes deveriam ser cumpridas pela Norte Energia, que administra a Usina.
Entre as frentes de obras da construção da hidrelétrica, o sítio Pimental é o mais distante de todos. Os outros pontos são os canais e diques, a 49km de Altamira, e o sítio Belo Monte, que fica a 50 km da cidade.
Segundo informações enviadas pela coordenação do movimento de ocupação os indígenas são oriundos da etnia Xikrin, das Terras Indígenas (TI) Trincheira Bacajá, da etnia Jurunas da TI Paquiçamba, e da etnia Arara, da TI Volta Grande. Participam do movimento também, cerca de 15 Parakanã e líderes de 34 aldeias do Médio Xingu. Eles exigem a presença de um representante de alto escalão da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Norte Energia
Diálogo
A Norte Energia explicou, através da assessoria de imprensa, que até o final da manhã de hoje um grupo de representantes da empresa se dirigirá até o local de ocupação para receber dos indígenas as suas reivindicações formalmente, coisa que ainda não havia acontecido.
O DOL tenta contato com a Funai.
Condicionantes indígenas
Segundo a coordenação do movimento de ocupação, entre as condicionantes ainda não cumpridas, as mais preocupantes são a demora na implantação da componente indígenda do Plano Básico Ambiental (PBA),e a indefinição no sistema de transposição da barragem. Eles temem ficar isolados de Altamira, onde estãoos principais serviços que lhes atendem - saúde, educação e escritórios da Funai.
Os índios se dizem insatisfeitos com a situação, já que as condicionantes que deveriam anteceder as obras não estão sendo devidamente cumpridas em suas terras.
(Marina Chiari/ DOL)
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