Foi uma tentativa frustrada da Prefeitura Municipal de Belém em promover um suposto teste de resistência da pista de concreto construída na avenida Almirante Barroso, a qual será destinada exclusivamente para o BRT (Bus Rapid Transit). O ônibus que circulou pela via, ontem à tarde não é do mesmo tipo que será utilizado na capital paraense nem está de acordo com as características físicas do projeto.
Além disso, um engenheiro não identificado afirmou que o corredor exclusivo ainda não está apto para testes, uma vez que a obra ainda não foi concluída. O veículo que circulou é um dos sete ônibus usados para um projeto de uma fábrica multinacional sueca que percorre 54 cidades brasileiras para mostrar os novos modelos de ônibus produzidos pela empresa.
O teste foi marcado para as 14h30, mas só começou uma hora e meia depois, debaixo de uma forte chuva. As primeiras informações repassadas à imprensa davam conta de que o ônibus, do tipo articulado, ia percorrer o trecho da pista do BRT que começa na Tavares Bastos e segue até a Júlio Cesar. No entanto, o trajeto utilizado começou no Entroncamento, em frente ao residencial Costa e Silva, e terminou próximo ao 2º Batalhão de Infantaria de Selva (2º BIS).
O primeiro item observado, e que não estava de acordo com os padrões do BRT, foi a rampa de acesso à porta do ônibus.
A rampa não ficou no mesmo nível de altura do calçamento da ciclovia e tampouco ficará na mesma altura das estações (paradas de ônibus). O motorista do ônibus justificou que a diferença aconteceu porque o veículo era do tipo articulado, diferente do modelo que será utilizado em Belém, que será do tipo biarticulado.
Quando questionados sobre o teste ao qual o ônibus estaria submetido, os representantes da empresa, que não gravaram entrevistas, alegaram não saber de nenhum teste. Informaram apenas que estavam ali para mostrar o portfólio dos modelos de ônibus urbanos fabricados pela empresa.
O comentário deles foi confirmado pelo letreiro do veículo, que informava tratar-se de uma caravana. Um engenheiro da empresa responsável pela obra, que também não pôde gravar entrevista, disse que o passeio do ônibus naquele trecho foi apenas para fazer imagens e que não se tratava de nenhum teste de concreto ou mesmo da via.
A reportagem procurou pela gerente de projetos especiais da Prefeitura de Belém, Suely Pinheiro, que não atendeu aos telefonemas feitos pela equipe do DIÁRIO.
A ideia era esclarecer que tipo de teste se tratava, já que o ônibus em questão não atendia as características da obra nem a faixa exclusiva do BRT estaria pronta para ser submetida a teste. Quais resultados seriam obtidos então?
O DIÁRIO tentou contato também com a assessoria de imprensa na Prefeitura de Belém, que não conseguiu localizar a entrevistada indicada. Por onde o ônibus circulou atraiu os olhares de dezenas de pessoas, que olhavam para o veículo querendo saber se já era mesmo o BRT que estaria prestes a funcionar. No entanto, a previsão é que as obras terminem somente em setembro deste ano.
(Diário do Pará)
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