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Rombo no Ipamb pode chegar a R$ 3 mi

Documentos, notas fiscais, computadores e até perfumes foram apreendidos ontem durante uma operação realizada pelo Ministério Público Estadual (MPE) e Polícia Civil para investigar denúncias de fraudes no cartão oferecido pelo Instituto de Previdência e A

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Documentos, notas fiscais, computadores e até perfumes foram apreendidos ontem durante uma operação realizada pelo Ministério Público Estadual (MPE) e Polícia Civil para investigar denúncias de fraudes no cartão oferecido pelo Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém (Ipamb), aos seus funcionários, para compra de remédios. Durante a operação, que previa nove mandados de busca e apreensão e cinco de prisão, apenas duas pessoas foram detidas.

De acordo com o Promotor do MPE, Nelson Medrado, responsável pelos mandados de busca, o próprio Ipamb detectou uma diferença entre os valores pagos pelo órgão e os valores recebidos dos servidores como pagamento de empréstimos consignados para compra de medicamentos.

Segundo o promotor, o cartão do Ipamb oferece um limite de R$300 para compra de medicamentos em duas redes de farmácias particulares. Para ter acesso ao benefício, os funcionários vão à farmácia, escolhem o produto, a balconista checa o limite disponível e libera a compra. Após essa transação, o valor é repassado ao Ipamb, que efetua o pagamento para a farmácia, e passa a descontar em duas parcelas o valor do empréstimo no contracheque do servidor. Na fraude, os valores disponíveis para compra eram alterados. “A fraude se dava ou pelo aumento do valor do limite estabelecido, ou se criavam funcionários fantasmas para requerer esse benefício ou se apagava a compra efetuada do sistema do Ipamb”.

Medrado disse ter identificado o terceiro tipo de fraude no sistema de informática do hospital, área controlada, até então, pelo diretor de informática do Ipamb, Renato César Nascimento Spinelli. “O registro das compras aparecia em sequência e identificamos que do número dois passava para o cinco, depois para o oito, mostrando que algumas foram apagadas”.

DE 300 PARA 150 MIL

Segundo o promotor, o limite da compra era alterado – provavelmente pelo diretor Renato Spinelli – de R$300 para cerca de R$150 mil. Mas a compra era apagada do sistema, o que gerava um rombo nas contas do Ipamb. “Há informações de que o Spinelli poderia acessar o computador do Ipamb da casa dele para alterar os dados. Ele é que atestava a exatidão da cobrança da farmácia”, disse o promotor ao informar que dentre os produtos comprados estavam celulares, computadores e equipamentos eletrônicos.

Spinelli, sua esposa, Paula Carolina Sotão Vieitas, e o técnico Diego Saavedra Pinheiro, ambos funcionários do departamento de informática do Ipamb, tiveram a prisão temporária decretada. “Tanto o Spinelli como sua esposa não estavam em casa. Eles são considerados foragidos”, informou o promotor do MPE, responsável pelos mandados de prisão, Arnaldo Célio.

Na casa de Spnelli, foram encontraram processos administrativos do Ipamb e uma mochila com perfumes importados. “Achamos a mochila e um caderno no qual constava o preço desses perfumes. Isso aponta que eles foram adquiridos para serem vendidos”, acredita o promotor Arnaldo. “Obtivemos informações que Spinelli tinha uma empresa que vendia produtos de informática para o Ipamb”, disse. “Parece-nos que essas empresas seriam utilizadas para maquiar serviços prestados ao município e que não eram realizados”.

O MP afirma que o Ipamb ainda possui convênios que possibilitam o mesmo benefício para óticas, para a realização de exames e para internação hospitalar, o que também pode estar sendo fraudado.

Após a apreensão dos documentos e máquinas, MPE e Polícia Civil irão analisar os indícios para tentar descobrir há quanto tempo o esquema era realizado, quanto foi o rombo nos cofres públicos e quem eram os demais envolvidos. Atualmente, a estimativa é de que o rombo tenha sido de R$3 milhões. (Diário do Pará)

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