O exemplo dos estudantes da rede federal de ensino que ontem comemoraram a volta às aulas após quatro meses de greve, não foi seguido por boa parte da população. A paralisação de bancários, servidores dos Correios e professores da Universidade Estadual do Pará (UEPA) segue sem sinais de ponto final.
A manhã foi de manifestações dos docentes da UEPA em frente ao Centro Integrado de Governo (CIG). Acompanhados de estudantes e funcionários da Companhia de Habitação do Pará (Cohab), os professores pediam uma audiência com a secretária estadual de administração, Alice Viana, para dar prosseguimento às negociações que seguem sem avanços. “Uma pessoa em nome da secretária nos informou que ela não se encontrava no prédio e reiterou que o governo só volta a negociar conosco após o fim da greve. Em seguida o Batalhão de Choque foi chamado para nos intimidar. Nós fizemos um movimento pacífico e a resposta do Governo foi chamar a polícia. Nós continuamos em greve porque a proposta apresentada não tem cabimento”, disse o diretor de Comunicação do Sindicato dos Docentes e Técnicos da UEPA (Sinduepa), Paulo Sérgio Braga.
Uma das principais reivindicações dos grevistas é a equiparação do salário dos professores em início de carreira na UEPA com o dos professores da rede de ensino médio ligados à Secretaria Estadual de Educação (Seduc) acrescido de aumento de 15%. Segundo ele, o Estado paga hoje a professores do ensino médio um salário no valor mínimo de R$ 1451, ao passo que aos professores de ensino superior em inicio de carreira se paga, em média, R$ 1244. Para hoje está prevista uma assembleia geral dos técnicos administrativos da UEPA que deve definir se a categoria adere, ou não, à greve dos professores.
BANCOS
No sétimo dia de serviços interrompidos e sem acordo com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), bancários de todo o país mantêm a decisão de continuar em greve. Em todo o Brasil são mais de 9 mil agências paradas, no Pará cerca de 300. No Estado, uma rodada de negociações entre Banco do Estado do Pará [Banpará] e bancários acenou para uma possibilidade de acordo, mas de acordo com a assessoria de imprensa do Sindicato dos Bancários do Estado do Pará , a reunião que teve inicio às 9 horas e só teve fim às 18 horas, não trouxe novidades. Segundo a assessoria, o Banco garante apenas seguir a decisão nacional sem atender a nenhuma das pautas específicas dos servidores. Ainda de acordo com a assessoria, o Banco marcou uma nova reunião para hoje para avaliar melhor as propostas, mas não determinou horário para o encontro. Já o sindicato convocou os servidores para uma assembleia geral marcada para às 18 horas, para decidir os rumos da greve na instituição.
Com atividades suspensas no Pará há 15 dias, servidores dos Correios também continuam de braços cruzados. Uma reunião de conciliação entre categoria e Empresa ocorreu ontem no Tribunal Superior do Trabalho (TST) em Brasília, às 18 horas, mas sem avanços. “Vamos avaliar esses dias de manifestação e amanhã [hoje] decidimos os rumos da greve”, afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, Paulo André Silva.
Segundo a Secretaria de Estado de administração, o governo do Estado do Pará restabeleceu a mesa permanente de negociação com os professores da Universidade Estadual do Pará (UEPA), no último dia 10, e apresentou uma proposta salarial que eleva o vencimento base da categoria de R$ 1.244, o qual corresponde a uma remuneração de R$ 2.488, para jornada de 40hs, para R$ 1.451 subindo a remuneração total para R$ 2.902 na classe I e R$ 3.359,00 na classe IV. Portanto, um reajuste de 16,63% repercutindo em todas as demais vantagens dos servidores, inclusive do Plano de Carreiras e Remuneração.
Sobre a Companhia de Habitação do Pará (Cohab), a Sead informa que também não houve perdas acumuladas nesse período. A nota diz ainda que “A partir do momento que os servidores deliberam pelo movimento de greve, significa que o processo de negociação é rompido. Portanto, o diálogo fica prejudicado, inviabilizando as negociações e prejudicando a solução dos conflitos”.
(Diário do Pará)
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