Médicos pediatras de todo o Estado suspenderam ontem o atendimento de consultas agendadas pelos planos de saúde em protesto pelos problemas que enfrentam com as operadoras dos planos. A paralisação deve durar até o próximo dia 18, segundo informa a presidente da Sociedade Paraense de Pediatria, Rejane Cavalcante, em entrevista coletiva ontem, no Sindicato dos Médicos do Estado Pará (Sindmepa).“Esta parada é de reflexão, não só dos pediatras, mas de todos os usuários de planos de saúde que são atendidos pelos pediatras. A reflexão é ‘o meu atendimento é aquele que eu gostaria de dar? O meu pediatra está tendo tempo para fazer o meu acompanhamento adequadamente?’. Os pediatras decidiram que não vão mais pactuar com a qualidade do atendimento que as crianças estão tendo nos últimos tempos”, reclama.
Segundo o Sindicato dos Médicos no Estado, as operadoras de planos de saúde pagam entre 25 e 50 reais por consulta e apenas duas empresas – Unimed e Unidas – estariam em diálogo com a entidade para resolver este e outros impasses, como as limitações de procedimentos por pacientes e, no caso específico dos pediatras, o pagamento do procedimento de puericultura, em que o médico atende a criança com mais tempo para orientar a família.
O diretor do Sindmepa, João Gouveia, se mostra preocupado com a situação e pontua que os entraves envolvem médicos de outras especialidades, como os da endocrinologia e cirurgia torácica, que também estariam limitando os atendimentos via planos de saúde. “Você sabe quanto se paga por um procedimento de sala de parto? 300 reais. Sabe quanto ganha um cinegrafista que faz o vídeo do nascimento da criança? 350 reais. Se as coisas continuarem desse jeito, dentro de pouco tempo vamos ter ainda mais restrição na área suplementar de saúde”, informa.
O Sindmepa estima que 800 mil pessoas sejam usuárias de planos de saúde em todo o Pará. Elas são atendidas por cerca de 2,5 mil médicos associados, dos quais 300 são especialistas em pediatria. Ainda de acordo com o Sindicato, os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos durante a paralisação.
(Diário do Pará)
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