Não bastou ostentar o uniforme, Isis Mendes fez questão de cantar e dançar a noite toda do último sábado (10) para mostrar sua alegria. Depois de comemorar a passagem do Paysandu para a próxima edição da Série B na avenida Doca de Souza Franco, em Belém, a professora de 28 anos elegeu a programação do Giro Cultural como trilha sonora do título.
“Acho que hoje chegou perto da minha definição de noite perfeita. Além do meu time do coração ter se dado bem, tou aproveitando ótima música na praça com minha família, amigos. Ainda por cima de graça”, conta educadora, que não foi a única torcedora do Papão que resolveu aproveitar o palco armado na Praça do Carmo, na Cidade Velha. Ao invés dos típicos chapéus de palha com fitas multicoloridas dos fãs do Arraial do Pavulagem, grupo escalado para fechar o evento, o que mais se via eram camisas e os bandeirões com as cores azul e branca.
Até o músico Arthur Espindola se rendeu ao time. Mesmo se definindo como remista doente, parabenizou o rival pela vitória. “Sou remista, mas acima de tudo, sou paraense. E o Paysandu tá representando o Pará lá fora. Parabéns que vocês merecem”, falou arrancando aplausos dos torcedores.
O público que compareceu ao show de ontem pode conferir em primeira mão uma prévia exclusiva do seu primeiro CD oficial, “Tou Falado”. Previsto para ser lançado no começo do ano que vem, o álbum conta com participações da paraense Gaby Amarantos e dos músicos da velha guarda da Mangueira, grupo de veteranos da famosa escola de samba carioca.
“Foi emocionante receber o pessoal da velha guarda, todos uniformizados para gravar comigo. Esses caras escreveram clássico atrás de clássico, como o samba enredo ‘Atrás da Verde Rosa Só Não Vai Quem Já Morreu’. Foi muito bacana ver eles curiosos a respeito do meu trabalho, um tipo de samba que carrega muito da nossa região”, conta o cantor de 28 anos, que utiliza instrumentos típicos do carimbó e outras manifestações populares, como o curimbó, a barrica, o tambor de onça e o banjo regional.
“Todos os projetos do grupo RBA, como o Giro Cultural, o Prêmio Diário de Fotografia, Orgulho do Pará, Festival RBA de Música, têm em comum o fato de promover as coisas do Pará. O que há de melhor na produção artística e cultural daqui. Partimos da seguinte premissa: como vamos sentir orgulho de sermos paraenses se não conhecermos as coisas daqui?”, define o diretor geral do Grupo RBA, Camilo Centeno.
ITINERANTE
Criado a há quatro anos, o Giro Cultural é um projeto cultural itinerante promovido pelo Grupo RBA, com apoio da Vale. Em 2012 ele já contou com duas edições, uma em setembro no município de Moju e outra em outubro, em Belém. “Uma das premissas do Giro é a integração das diversas regiões do Estado através da arte. A aceitação tem sido ótima, principalmente no interior do Estado. Este ano, infelizmente, não pudemos realizar uma edição em Marabá. Recebemos um abaixo assinado para trazer o Giro Cultural de volta a cidade”, garante Centeno.
Outra característica marcante do projeto são as oficinas artísticas. Em Belém foram duas, a de percussão, ministrada por músicos do Arraial do Pavulagem, e a de fotografia e intervenção urbana, orientada em conjuntos pelos artistas visuais Alexandre Siqueira e Roberta Carvalho. Mesmo contando com dois dias de classe, os alunos de percussão seguraram as pontas no palco, ao apresentaram uma série de carimbós. Sob a regência do percussionista Rafael Barros, os 20 integrantes da oficina arriscaram seus conhecimentos recém adquiridos na barrica, reco e maracas.
A cenógrafa Márcia Almeida, 47 anos, custou a acreditar que a música que estava tão entusiasticamente dançando era composta por iniciantes. “Eles só tocam a dois dias? Não é verdade. Tá muito bom”, disse. Moradora da Cidade Velha, ela não vê a hora para que chegue a próxima edição do projeto, que ainda contou com apresentações do Grupo de percussão de Câmara Vale Música e o violonista Salomão Habib. “Deveria acontecer mais eventos como esse, quem sabe até resgatar a Seresta do Carmo”, defende.
(Diário do Pará)
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