Foi por meio dos estudos que Raimundo Avelino Franco, 54 anos de idade, viu uma nova oportunidade na vida. O sonho de trabalhar profissionalmente com informática pode estar próximo, caso ele consiga a aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PLL). Ele foi um dos detentos que realizaram a prova ontem, aplicada em 27 unidades da Região Metropolitana de Belém e do interior do Estado.
Desde que foi preso, há três anos, Raimundo começou a se dedicar aos estudos. Pela primeira vez, se inscreveu no Enem. “Interrompi meus estudos na adolescência, não dava para conciliar Exército e estudos. Voltei a estudar aqui e resolvi fazer a prova”, conta.
O Enem PLL oferece aos detentos a oportunidade de obter a certificação do ensino médio e o acesso à educação superior por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e do Programa Universidade para Todos (ProUni). Puderam participar do exame os internos que estão concluindo ou concluíram o 3º ano do ensino médio.
Um dos locais onde a prova foi realizada é o Presídio Estadual Metropolitano (PEM) II. No total, 23 internos iam realizar a prova (18 que ainda estão no local e cinco que já haviam saído, mas que poderiam retornar apenas para fazer o exame). “Há quatro anos, o PEM II abraçou essa causa e isso tem sido gratificante na ressocialização dos internos”, ressaltou Carlos Alberto do Carmo, diretor do PEM II.
A prova continua hoje (05) para cerca de 457 detentos custodiados. Segundo a Superintendência do Sistema Penal (Susipe), o número é bem superior ao do ano passado, quando apenas 243 pessoas se inscreveram. Diferente do Enem tradicional, que acontece aos finais de semana, este é realizado em dias úteis, porque a movimentação em presídios é muito intensa em dias de visita.
(Diário do Pará)
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