O Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) deve amanhecer sem médicos hoje (12). Um documento protocolado ontem pela assessoria jurídica do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) pede a rescisão de contrato, vencido ontem (11), do quadro clínico do hospital. Segundo o presidente do Sindmepa, João Gouveia, são cerca de 170 profissionais que não querem mais trabalhar no HMUE por conta do desacordo com a nova Organização Social (OS) que passará a administrar o Metropolitano, a Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar (Pró Saúde).
“Estivemos em reunião na última sexta-feira (7) com representantes da Pró Saúde para discutir questões como condições de trabalho, jornada, insalubridade, reajuste salarial e todas as nossas reivindicações foram negadas. Nada foi atendido. O contrato com a antiga OS (Idesma) vence hoje (ontem) e, a partir de amanhã, nenhum médico é obrigado a trabalhar no Metropolitano”, declara o presidente do Sindmepa.
Segundo João Gouveia, as queixas dos profissionais se acumulam há meses sem que a Idesma tenha tomado providências. Com a troca da OS, a expectativa era de que a nova empresa atendesse aos anseios dos profissionais. No entanto, os médicos permanecem frustrados. “Não é uma paralisação. Nenhum profissional é obrigado a constituir vínculos com uma empresa que não satisfaz seus interesses”, explica o presidente do Sindmepa, que esclarece que o sindicato é o representante legal dos funcionários. Especialidades, como a dos ortopedistas, são representadas por meio de cooperativas.
O Hospital Metropolitano é referência de atendimento de urgência e emergência e recebe pacientes dos seis municípios que compõem a grande Belém. Através do programa “S.O.S Emergências”, do Ministério da Saúde, o Metropolitano recebe incentivo anual de R$ 3,6 milhões, o que representa cerca de R$ 300 mil por mês, para arcar com despesas de ampliação e qualificação da assistência da emergência médica. O HMUE dispõe de 180 leitos, distribuídos entre enfermarias, apartamentos, berçário, hospital dia e Unidades de Terapia Intensiva. Com incentivo do Ministério da Saúde, o hospital deve criar 50 novos leitos de retaguarda.
No entanto, a administração ocorre de forma terceirizada, por meio de empresa definida a partir de processo licitatório. A Pró Saúde foi escolhida como nova gerenciadora no final do último mês.
“Não há mais interesse dos médicos em continuarem no Metropolitano. Hoje a administração deve dar um jeito de providenciar atendimento”, completa Gouveia.
SEM RESPOSTA
A reportagem procurou a assessoria de comunicação do hospital, que ficou de enviar resposta com esclarecimentos sobre o atendimento no hospital hoje. Mas até o fechamento desta edição não houve resposta sobre providências para não paralisar o atendimento médico no Metropolitano. A Pró Saúde não foi encontrada para se manifestar.
(Diário do Pará)
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