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Fundação Pestalozzi do Pará agoniza

O sol do início de julho de 1953 provoca uma sensação térmica esmagadora e opressora. Aliado a certo nervosismo, Blandina Alves Torres percebe que o calor faz com que sue um pouco além do que está acostumada. Na despedida dos parentes, um misto de euforia

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O sol do início de julho de 1953 provoca uma sensação térmica esmagadora e opressora. Aliado a certo nervosismo, Blandina Alves Torres percebe que o calor faz com que sue um pouco além do que está acostumada. Na despedida dos parentes, um misto de euforia e excitação nervosa, mas com camadas de orgulho mal disfarçado. Blandina seria a primeira paraense bolsista do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep). No Rio, a orientadora de Ensino da Capital se especializaria em Educação de Excepcionais Retardados Mentais. Era o sétimo curso realizado pela Sociedade Pestalozzi do Brasil. Seria a primeira vez que receberia uma professora paraense. Blandina ainda não sabia, mas seu embarque para a capital carioca seria o primeiro passo para a criação da Fundação Pestalozzi do Pará.

As atividades no Rio encantam a professora paraense. A ideia de atendimento a quem possuía algum tipo de ‘deficiência mental’ passava por mudanças. As discussões ganhavam corpo. Com a rápida expansão do ensino fundamental vista a partir dos anos 40, o Brasil aos poucos começava a olhar para um problema que até então era ignorado. “Foi a partir dos anos 50, mais especificamente no ano de 1957, que o atendimento educacional aos indivíduos que apresentavam deficiência foi assumido explicitamente pelo governo federal, em âmbito nacional, com a criação de campanhas voltadas especificamente para este fim“, esclarece a doutora em Educação Arlete Aparecida Bertoldo Viana, pesquisadora da história da educação especial no Brasil.

No curso, Blandina conhece o advogado paraense José Maria Bittencourt Alves da Cunha. Ele cursava uma especialização em Orientação Profissional e Psicotécnica pela Fundação Getúlio Vargas. Aulas eram dadas na Sociedade Pestalozzi do Brasil. A troca de ideias entre os dois bolsistas faz nascer a ideia de estruturar um trabalho educativo em Belém para o que então se chamava ‘excepcional retardado mental’.

Era algo nesse sentido que Palmira Pureza dos Santos buscava encontrar em Belém. O Natal se aproximava e ela não deixava de olhar para os dois filhos praticamente adolescentes com uma mistura indefinida de amor e dor. Os dois possuíam retardo mental. No final do segundo semestre de 1953, Palmira, o marido e os filhos Fernando e Daniel embarcam para São Paulo em busca de orientação especializada. O casal volta disposto a encontrar apoio maior em Belém.

É na Sociedade Paraense de Educação - Casa do Professor- que Palmira acha o que procura. Encontra a professora Hilda Vieira, presidente da entidade. As duas trocam ideias sobre o atendimento a pessoas portadoras de retardo mental. No dia 3 de janeiro de 1954, a professora Blandina Torres retorna a Belém. Concede uma entrevista ao jornal Folha do Norte. Fala do que viu e aprendeu. Aponta falhas no sistema educacional paraense nesse tipo de atendimento.

A entrevista repercute. Palmira dos Santos lê o jornal com atenção. É como se fosse um sinal. No dia seguinte, sob orientação de Hilda Vieira e acompanhada do general e deputado estadual Humberto de Vasconcelos, vai até a professora Blandina. É do encontro e dos interesses comuns entre essas três mulheres que a Fundação Pestalozzi surge em Belém.

O INÍCIO

Quem também lê a entrevista da professora Blandina é o secretário de estado de Saúde Pública, Edward Catete Pinheiro. A professora é convidada a desenvolver um trabalho de ocupação física e mental aos internos do Hospital Juliano Moreira, conhecido à época como o ‘hospício’ de Belém. Blandina pode começar a implantar um pouco do que aprendera no Rio.

Junto a Palmira dos Santos, Hilda Vieira começa a mobilizar a ‘sociedade’ de Belém no sentido de criar o curso Pestalozzi em Belém. Recebe apoio porque há filhos de pessoas importantes na cidade que sofrem de algum tipo de deficiência mental. O curso é criado no dia 15 de outubro de 1955, mas é só no dia 3 de fevereiro de 1956, às 9h, que ocorre a instalação solene do Curso Pestalozzi do Pará. Funcionava num prédio da própria Sociedade Paraense de Educação.

Aos poucos, o espaço se mostraria insuficiente para atender a demanda. Em março de 1956, inicia o primeiro período de aulas. São 23 alunos que passam a ter como segunda casa a avenida Tito Franco (atual Almirante Barroso), bem na esquina da travessa Lomas Valentinas. É onde funciona o 1º Curso Pestalozzi do Pará.

Dificuldades financeiras e pedagógicas obrigam a mudança de perfil da instituição. No dia 23 de março de 1958, o curso Pestalozzi passa a ser a Fundação Pestalozzi do Pará. Nomes como o de Hilda Vieira e Margarida Schivasappa fazem parte das lideranças da fundação. São elas que recebem, no dia 11 de fevereiro de 1961, o terreno de quase 500 metros de fundo e 300 de largura e o chalé que até hoje fazem parte do patrimônio da fundação. A doação, oficial, é do Governo do Estado e foi lavrada no Segundo Ofício de Registro de Imóveis, à folha 52 do livro 287, das notas do tabelião Edgard Chermont. >> Leia mais no Diário do Pará.

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