Em Mãe do Rio, na região nordeste do Pará, um jovem aluno do Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor) se destaca entre as turmas da Universidade Federal do Pará (UFPA) no município. Nerisvan Silva, de apenas 23 anos, é um exemplo para todos os professores em formação no estado, por ser o primeiro aluno surdo a ingressar no Parfor na UFPA. Apesar dos preconceitos e dificuldades, ele nunca desistiu de estudar e atualmente realiza o sonho de sua vida.
Nerisvan é funcionário da prefeitura e dá aulas de libras para turmas especiais. Ele aprendeu a linguagem dos sinais em um curso que fez em Belém e aprimorou os conhecimentos em meio a projetos sociais da prefeitura. O jovem foi selecionado para fazer parte da turma de Educação Física que iniciou em janeiro de 2013 e comemorou a chance como uma vitória pessoal.
“Para ele ingressar no Parfor foi uma conquista muito grande, ele disse que queria muito. A preocupação dele é ajudar os outros”, explica Eliana Peniche, coordenadora de educação especial da cidade e professora de libras do Parfor. “No início fiquei preocupado, como sozinho ia fazer o curso? Mas tudo vai se organizando, está ótimo, os alunos dizem: só um surdo, mas vão tentando os sinais”, conta Nerisvan, por meio da linguagem de sinais.
“Os professores relataram algumas dificuldades no início, mas ele supera tudo. Ele fez o curso de libras e quis ir mais além”, afirma Eliana. Em seu trabalho no município, Nerisvan iniciou uma turma de karatê para 36 alunos surdos. O jovem trabalha junto com o professor de artes marciais, que está aprendendo aos poucos a lidar com a linguagem dos sinais. “Ele [Nerisvan] disse que quando era aluno, não tinha uma professora para explicar e agora quer ajudar os outros surdos”, conta ainda Eliana.
“Ele se aceita, sabe das dificuldades, mas pensa nesse grupo, está abrindo o caminho para os outros. Ele é muito dedicado”, completa a professora.
Para a coordenadora do curso de Educação Física, professora Renata Vivi, ter um aluno especial é um desafio. “O convívio faz a gente estreitar a comunicação. A gente tem que criar o ambiente adequado, o domínio dos professores. Os depoimentos dos professores são positivos. Para o corpo docente é desafiador”, afirma Renata.
Para o coordenador geral do Parfor, professor Márcio Nascimento, o programa pega a experiência dos cursos extensivos para começar o processo de inclusão. “É extremamente importante discutir a Educação Inclusiva com alunos como o Nerisvan, pois acelera o processo e avançamos”, ressalta o professor.
(Diário do Pará, com informações da assessoria de comunicação do Parfor / UFPA)
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