Em pleno século XXI, a malária ainda mata milhões de pessoas no mundo - de 300 a 500 milhões a cada ano. Dos 25 a 30 milhões de pessoas que viajam para áreas endêmicas, de 10 a 30 mil contraem malária. A doença está presente em muitas regiões do mundo, incluindo o Brasil. A ocorrência da doença interfere diretamente em alguns impedimentos, temporários ou definitivos, para a doação voluntária de sangue.
O foco principal de malária é na África Sub-Sahariana, onde ocorrem cerca de 90% dos casos. No Brasil, a área endêmica é a Amazônia Legal, que inclui os Estados do Pará, Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Tocantins e partes do Maranhão e Mato Grosso. Portanto, toda a Região Norte é área endêmica da doença, com alto risco de transmissão, dependendo do tempo de permanência da pessoa no local.
Segundo Maurício Koury Palmeira, coordenador de Laboratórios (Colab) da Fundação Hemopa, dos casos de malária no Brasil, 98% estão na Região Amazônica e, desses, 85% na área rural e 15% na área urbana.
Maurício Koury, que é biomédico e mestrando em “PPG Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários – BAIP”, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), alerta que a doação voluntária de sangue depende dos doadores que atendem aos critérios básicos para a coleta de sangue. Mas há legislações federais para proteção da saúde do receptor.
Critérios
Quanto ao histórico de doenças parasitárias, incluindo a malária, o biomédico destaca que devem ser observados alguns critérios: quem viajou por menos de um mês por áreas de alta endemicidade da doença está impedido de doar sangue por 30 dias. Já quem esteve por mais tempo ou residiu nessas áreas, o impedimento é por 12 meses. O mesmo período se aplica ao candidato que foi acometido de febre suspeita para malária.
O biomédico lembra que, após um ano do tratamento efetivo da doença, o candidato pode voltar a doar sangue, com exceção daqueles que tiveram infecção por Plasmodium malariae (um dos parasitas causadores da malária, cujo período de incubação é mais longo).
Maurício Koury explica que a inaptidão do candidato à doação de sangue deve ser baseada na Incidência Parasitária Anual (IPA) do município. No Pará, a relação inclui os seguintes municípios: Anajás, Anapu, Bagre, Cametá, Chaves, Curralinho, Goianésia do Pará, Itaituba, Jacareacanga, Novo Progresso, Oeiras do Pará, Pacajá, Santa Cruz do Arari e Senador José Porfírio. “Nessas regiões endêmicas de malária, com transmissão ativa e de alto risco, independentemente da incidência parasitária da doença, deve ser realizado teste para detecção do plasmódio ou de antígenos plasmodiais”, enfatiza o biomédico.
O teste, informa, é feito nas unidades da hemorrede estadual nos municípios de Santarém (na região oeste), Marabá e Tucuruí (no sudeste), Altamira (na região do Xingu) e Redenção (no sul do Estado).
Podem doar sangue candidatos em bom estado de saúde, com idade entre 16 anos completos e 67 anos, e peso acima de 50 kg. É necessário portar documento de identidade original e com foto. O homem pode doar a cada dois meses, e a mulher a cada três meses. O doador deve estar bem alimentado. O resultado dos exames dos doadores pode ser obtido on line, pelo site www.hemopa.pa.gov.br, em 30 dias após a coleta do sangue.
Serviço: A Fundação Hemopa fica na Travessa Padre Eutíquio, 2109. Funcionamento para coleta: de segunda até sexta-feira, das 7h30 às 18 h, e aos sábados das 7h30 às 17 h. Mais informações pelo fone 08002808118.
(Agência Pará)
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