A morte de um professor de inglês, na madrugada desta quinta-feira, provocou a suspensão das aulas na Escola Estadual Augusto Meira Filho, no bairro de São Brás. Segundo colegas da escola, o professor se chamava Arão Saraiva de Araújo, tinha 57 anos e faleceu por conta de suspeita de ter contraído a gripe A (H1N1), fato que provocou espanto e surpresa em professores e alunos. Ontem, as aulas foram parcialmente paralisadas e alguns professores afirmam só voltarão a trabalhar quando a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) vacinar funcionários e estudantes.
“Eu estou no grupo de risco porque sou hipertenso. Tentei me vacinar duas vezes e não consegui porque tossi na fila e informaram que não podia. Eu só volto a trabalhar segunda-feira se a Sesma mandar higienizar toda a escola e vacinar todo mundo”, desabafou o professor de geografia Jurandir Amaral. O professor de matemática Rubens Silva também foi impedido de se vacinar. “Quando eu estava na fila, fui cair na besteira de dizer que tenho 59 anos, aí não deixaram eu me vacinar. Eles dizem que só podem vacinar quem está no grupo de risco, mas ninguém está seguro. Só vacinei meu filho de seis anos, porque paguei”, disse, temeroso.
O professor de geografia Daniel Ramoa conta que a infraestrutura da escola também contribui para a proliferação de vírus. “Nós estamos em um ambiente fechado, com várias pessoas reunidas em um espaço sem corrente de ar. Se esse vírus tiver vindo de dentro, ninguém está imune”, pontua. Claúdia Oliveira, 15 anos, aluna do primeiro ano, também está preocupada.
“A gente não sabe se o vírus dessa gripe veio da escola, se ele ainda está aqui. Estou com medo porque a gente sabe que tem gente morrendo por causa dessa gripe”, comenta a estudante, que deseja ser vacinada.
Secretaria tenta acalmar estudantes
Ontem mesmo, equipes da Sespa e da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) estiveram reunidos com a direção da Escola Estadual Augusto Meira, para tranquilizar professores e alunos que estavam preocupados em função da morte do professor.
Os técnicos explicaram que os vírus respiratórios circulam por toda a parte e que as principais medidas de prevenção são a higienização constante das mãos e evitar lugares aglomerados, assim como quem está gripado deve proteger boca e nariz ao tossir e espirrar para evitar propagação do vírus. A equipe voltará na próxima terça-feira (28) para proferir palestras educativas aos alunos nos três turnos.
NEGATIVO
A Sespa informou ainda que deu negativo para o vírus H1N1 o resultado de exame do ex-secretário municipal de Saúde de Goianésia do Pará, Luiz Afonso Destefanni, que morreu no último sábado, durante transferência de Tucuruí para Marabá.
A Sespa afirma que até o momento só há um óbito confirmado por H1N1 em Tucuruí, que foi da mulher gestante procedente do município de Breu Branco.
Por critério clínico epidemiológico, foi descartado o H1N1 como causa da morte da costureira, que foi a óbito no Hospital Regional de Tucuruí.
Na falta de coleta de material da paciente, foi colhido material do marido que estava apresentando os mesmos sintomas que ela. No entanto, o resultado também deu negativo para H1N1.
Dos casos específicos noticiados pela imprensa, está sendo aguardado o resultado de exame da menina de seis anos que morreu anteontem (22), durante transferência de Goianésia para Tucuruí.
(Diário do Pará)
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