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Outeiro lidera em perda de crianças nas praias

Desde que a movimentação de veranistas nas praias paraenses se intensificou, ainda no dia 28 de junho, 369 ocorrências de crianças perdidas já foram registradas pelo Corpo de Bombeiros em todo o Estado do Pará. Campeã em ocorrências até o último final de

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Desde que a movimentação de veranistas nas praias paraenses se intensificou, ainda no dia 28 de junho, 369 ocorrências de crianças perdidas já foram registradas pelo Corpo de Bombeiros em todo o Estado do Pará. Campeã em ocorrências até o último final de semana, Outeiro registrou 126 crianças perdidas.

De acordo com o tenente-coronel dos Bombeiros Carlos Reis, as praias do distrito costumam acumular o maior número de ocorrência pela grande quantidade de crianças que frequentam o local. “Dependendo da hora da maré, as crianças se perdem pela falta de cuidado dos pais e aí também entra o fator bebida. Os pais bebem, se descuidam e esquecem que as crianças não têm percepção de risco, que não têm orientação na praia”, aponta, ao lembrar que o descuido dos pais é o principal fator que influencia a grande quantidade de crianças perdidas. “Apesar dessa grande quantidade de crianças perdidas, tem muita gente que já chega à praia e procura a barraca dos bombeiros”.

Grande aliada na hora de localizar os pais da criança desaparecida, as pulseirinhas de identificação oferecidas pelo Corpo de Bombeiros, hoje, é bem aceita pela grande parte dos pais e responsáveis, porém o que o coronel Reis destaca é que o fundamental é que a criança nem precise ser localizada. “A pulseira é uma ferramenta para facilitar a devolução da criança para o responsável, mas muita gente acha que a pulseira é mágica e não é isso. Ela serve só para facilitar a identificação”, destaca. “O ideal é que a criança não se perca, que os pais fiquem vigilantes”.

Sem ser exclusividade do distrito de Outeiro, ocorrências de crianças desaparecidas também foram registradas em praias de Salinas, Mosqueiro e na praia do Caripi, em Barcarena. Como orientação para evitar o problema, a principal é manter as crianças sempre no campo de visão dos responsáveis. “Quando chegar ao balneário, é bom procurar o posto dos Bombeiros para se orientar, colocar a pulseira na criança e ficar de olho nos filhos. Repare, fique sempre vigilante ao que a criança está fazendo. Se tiver cinco adultos, que pelo menos um não beba e fique responsável por reparar as crianças”, aconselha o coronel Reis. “Também é importante orientar as crianças maiores a procurarem a barraca dos Bombeiros caso se percam”.

Preocupada com a segurança da filha Anita, de apenas seis anos, a psicóloga Ana Carolina Pinheiro inicia a conversa antes mesmo da chegada da família na praia. “A gente sempre conversa antes: ‘Olha filha, estamos indo para a praia, onde sempre tem muita gente, então, fique brincando sempre perto da gente’”.

Responsáveis devem se manter atentos

Acostumada a viajar com a família para a praia durante o mês de julho, Ana Carolina tem ciência das consequências que uma rápida falta de atenção pode causar. Para evitar problemas, ela e o marido já desenvolveram, inclusive, estratégias para que a filha se mantenha sempre no campo de visão dos adultos. “Ela sempre brinca perto de mim. A gente tenta mantê-la brincando no máximo em um raio de cinco metros da gente, sempre levamos brinquedos que possam fazer com que ela brinque na sombra e perto de nós, ela só vai pra água com a gente...”, enumera. “É preciso muita atenção porque, por conta de um detalhe, a gente perde o domínio da situação. A gente se diverte, mas sempre com o olho na criança, não tem condições de perder de vista”.

Ainda que os números demonstrem uma grande quantidade de crianças perdidas nas praias do Pará até o dia 21 deste mês, a previsão é que, no último final de semana de julho, quando o movimento costuma ser ainda maior, também tenha muitas ocorrências. “Todos os anos temos aumento do número de crianças perdidas. Em Outeiro, no último final de semana, deveremos ter pelo menos 80 crianças perdidas, infelizmente”, aponta o tenente-coronel Carlos Reis. “Isso acontece porque a quantidade de crianças na praia também aumenta com o passar dos anos, mas dificilmente deixamos de entregar uma criança para o responsável. Não temos casos, esse ano, de crianças que não conseguimos identificar e entregar aos responsáveis”.

(Diário do Pará)

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