A possibilidade do repasse da gestão da Fundação Santa Casa de Misericórdia para a iniciativa privada, denunciada pelo Sindicato dos Médicos (Sindmepa) em abril deste ano, será pauta, hoje, de uma nova assembleia dos servidores da instituição. Marcada para às 10 horas, no auditório do prédio, o encontro deve reunir representantes de classes e Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Pará (AL). Segundo a Associação dos Servidores da Santa Casa, a reunião não afetará o atendimento ao público.
“Nossa intenção nesse momento é discutir em assembleia o encaminhamento da categoria em relação à postura do governo que só fala que não haverá privatização, mas não documenta o compromisso. A partir dessa assembleia decidiremos se serão realizados novos atos ou paralisações. O fato é que não ficaremos de braços cruzados ante ao desrespeito que vem sofrendo os servidores”, antecipou o presidente da associação, Flávio Roberto Costa.
Às vésperas da inauguração da nova Santa Casa, anunciada pelo governador Simão Jatene para o dia 30 deste mês, a categoria diz que falta informação e o temor da privatização é unânime nos corredores. Os servidores denunciam que alguns setores como portaria, almoxarifado e xerox já estariam, hoje, terceirizados e que a expansão para outras áreas do hospital é questão de tempo.
“O governo está corroendo a Santa Casa assim como a água que bate na beirada da praia. O que a gente, que trabalha todo dia na Santa Casa, vê é que aos pouquinhos tudo tá indo embora e em pouco tempo não terá mais nada. É por isso que devemos tomar uma posição firme de combate a essa proposta do governo”, afirmou.
PARTICIPANTES
Além da Associação dos Servidores e da Comissão de Saúde da AL, participam da reunião o Sindmepa, o Sindicato dos Servidores Públicos do Estado e a Comissão de Servidores da Santa Casa. “Para esta reunião o governo não foi convidado. Nossa intenção é formar uma comissão que irá em busca do nosso objetivo de bloquear a privatização da Santa Casa. Os servidores exigem direito de voz”.
Desde os primeiros protestos dos servidores, a direção da Santa Casa nega a possibilidade de privatização da instituição, afirmando que tudo não passa de rumores. A garantia continua sendo a de serviços gratuitos.
Em visita às obras da nova Santa Casa, na última segunda feira, Simão Jatene evitou dar detalhes sobre o modelo de gestão do novo hospital. “Quero conversar com os servidores da Santa Casa e faço questão de ter essa conversa o mais rápido possível. Acho que é possível ter serviço público de qualidade, agora, acho que é preciso que se construa um compromisso coletivo”.
(Diário do Pará)
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