Mesmo sem o efetivo planejamento de longo alcance feito pelo governo do Estado, o governo federal planeja investir de forma mais pesada na construção de hidrovias no Pará e em estados da região Centro-Oeste. Um amplo estudo feito em 2013 pela Universidade Federal de Santa Catarina encomendado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) simulou projetos de terminais hidroviários para os municípios de Conceição do Araguaia, São Félix, Breu Branco e Baião. O trabalho feito pela instituição resultou no estudo piloto de número 1, a versão preliminar do relatório da Hidrovia Tocantins-
Araguaia.
A ideia é demonstrar que o sistema hidroviário não é apenas uma opção, mas o melhor caminho para a movimentação de cargas no Brasil. A justificativa é simples. Enquanto uma tonelada de carga transportada custa US$ 5 por ferrovias, US$ 22 por rodovias e US$ 67 dólares por aerovias, transportar uma tonelada de carga por hidrovias não custa mais que US$ 1.
“Hoje, o momento, as circunstâncias e o meio ambiente exigem novas e criativas soluções para uma movimentação de cargas com menor impacto. Além disso, novas fronteiras de produção agrícola e mineral exigem rotas para embarque e desembarque de seus produtos. As hidrovias, menos poluentes, integram-se a outros modos de transporte”, explica o diretor-geral da Antaq Fernando Antônio Brito Fialho, em relação ao relatório produzido pela UFSC.
POTENCIAL À ESPERA
A bacia do Tocantins-Araguaia abrange os estados do Pará, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Goiás. São 767 mil quilômetros quadrados de rio, envolvendo os rios Tocantins, Araguaia e das Mortes.
Caso o planejamento seja cumprido, a projeção de movimentação de cargas até 2030 seria de quase 48 bilhões de toneladas por ano, tendo o minério de ferro e a soja como principais produtos transportados.
Só em 2010, as já existentes hidrovias da Bacia Amazônica transportaram 99 milhões de toneladas de minério de ferro, de acordo com dados do relatório executivo do Plano Nacional de Integração Hidroviário, apresentados em fevereiro de 2013.
O cenário inclui o início das atividades da Aços Laminados do Pará (Alpa) ainda este ano em Marabá. Segundo a Vale, o potencial de produção é de 2,5 milhões de toneladas de placas de aço por ano. Desse total, espera-se que 1,85 milhão de toneladas serão exportados.
No Pará, o terminal portuário de Baião seria um dos mais fortes, com capacidade de carregamento superior a 500 mil toneladas por ano. Transportaria, segundo avaliação dos especialistas, produtos florestais, leite, óleos, rações e carga geral. Até 2030 teria capacidade de transportar mais de 800 mil toneladas anualmente.
ECONOMIAS
O estudo feito pela universidade catarinense estima que haveria uma redução de custo logístico total de transporte de cargas superior a R$ 2 bilhões por ano. “Vale ressaltar que o custo logístico total de transporte nada mais é que o valor total gasto para transportar todos os produtos de sua origem até seu destino, incluindo frete, custo do estoque em trânsito, transbordo, seguro e perda de carga”, diz o relatório.
Em 2015, a previsão é que o custo desse tipo de transporte, que inclui pelo menos 21 produtos, não seria menor que R$ 7 bilhões e, em 2030, a projeção é que ultrapasse R$ 11 bilhões. Caso haja a construção de hidrovias, o custo projetado para 2015 é de pouco mais de R$ 5 bilhões. Em 2030, a previsão é de um custo de menos de R$ 8 bilhões.
Segundo especialistas, o Governo Federal tem urgência em melhorar o escoamento da produção nos portos brasileiros. O Pará é um dos alvos potenciais. “Os portos paraenses fazem parte da ação estratégica do governo para direcionar as cargas e a distribuição de combustíveis nas regiões Norte e Nordeste”, garantiu em agosto de 2013 o ministro dos Portos Leônidas Cristino. Resta saber se o governo do Pará está apto a enfrentar o desafio.
(Diário do Pará)
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