Os servidores do Estado que participaram ontem da paralisação geral pela anulação dos decretos 945/2014, que proíbe a implementação de novos Planos de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR); e 954/2014, que determina a suspensão de concessão e pagamento de Gratificação por Tempo Integral (GTI) e Gratificação de Serviço Extraordinário (hora-extra) a todo o funcionalismo estadual, decidiram, depois de reunião com o chefe em exercício da Casa Civil, Jair Pinto, prorrogar até 20 de fevereiro o prazo para receber uma resposta do governador Simão Jatene sobre o assunto antes de deliberar greve geral.
O encontro aconteceu por volta do meio-dia no Centro Integrado de Governo (CIG), em Nazaré, após uma manifestação iniciada na Praça do Operário, em São Brás.
A chuva que ficava indo e vindo durante a manhã fez com que a concentração de pessoas, marcada às 7h, fosse menor do que o esperado, segundo o presidente da Federação dos Servidores Públicos do Estado do Pará, Valdo Martins. “Mas nossa força de vontade não diminui por causa disso, até porque, mesmo assim, temos cerca de 20 representantes de associações e sindicatos aqui. Infelizmente, o governo do Estado não se manifestou durante toda a semana sobre nossa paralisação, não fomos procurados nem nada, o que só confirma que não existe disposição para dialogar sobre este assunto”.
Às 10h, o trio elétrico onde muitos líderes de movimentos sociais se apoiaram para bradar as insatisfações das categorias trabalhistas, saiu pela contramão desde o início da Magalhães Barata até a frente do CIG. Homens da Polícia Militar (PM) e da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) fizeram a escolta por todo o caminho, deixando uma pista livre para o tráfego regular.
As falas dos manifestantes ao microfone continuaram por todo o caminho e tudo ocorria tranquilamente até a esquina da travessa Nove de Janeiro, em frente ao Museu Paraense Emílio Goeldi, onde houve engarrafamento e reclamação dos motoristas.
Crítica
Os discursos não foram leves. Associações e sindicatos ligados à educação, meio ambiente, segurança e saúde, dentre eles o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp), o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Pará (Sindsaúde), dentre outros, e ainda as centrais sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), usaram termos como “miséria” e “massacre aos servidores públicos”. Frases como “Jatene, caloteiro, devolve o meu dinheiro” e “servidores na rua, Jatene a culpa é tua” eram entoadas pelos manifestantes na passeata.
“A gente pede pelo PCCR (Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração) há muitos anos e a negociação não anda. Os decretos impedem qualquer negociação que possa ser feita, não dava para ficar parado. Estou confiante de que haverá greve geral mesmo se o governo do Estado não recuar”, comentou o servidor Wallace Saraiva, ligado ao SindSaúde.
Comissão não reuniu com governador
Assim que o movimento chegou ao CIG, uma comissão de 21 pessoas foi recebida por Jair Pinto. Segundo texto publicado pela agência de notícias do governo do Estado, os servidores apresentaram um documento com as reivindicações dos sindicatos, dentre elas a revogação dos decretos, que deverá ser entregue a Jatene.
“Não houve avanços. A reunião com o chefe da Casa Civil, apesar da boa vontade e da educação do Jair, não muda muita coisa, ele só é porta-voz do Jatene. Nos foi dito que ele (Jatene) estava em outra agenda e que o vice, Helenilson Pontes, estava em Santarém, também em agenda do governo, mas para a gente é mais uma confirmação de que o governador não quer nos ouvir”, lamentou Martins.
“Decidimos nos reunir no dia 17, na sede da CUT, no bairro do Umarizal, às 15h, para definir os termos da greve e, se não formos convocados para uma audiência para tratar da anulação dos decretos ou não obtivermos resposta do governo até o dia 20, faremos a assembleia para deliberar a paralisação geral por tempo indeterminado”, avisou. “Ficamos sabendo que amanhã (hoje) a equipe econômica do Estado se reunirá para tratar da possibilidade de anulação dos decretos, o que mostra que nosso movimento tem força e que o governador está entendendo a má repercussão dessas duas decisões”,disse.
Sobre essa agenda, a Sead informou em nota que, na reunião de ontem, Jair Pinto reiterou que o governo , por meio da Secretaria de Estado de Administração, “permanecerá dialogando com todas as categorias de servidores, a fim de esclarecer todas as medidas temporárias adotadas nos decretos 945 e 954”.
A nota diz ainda que “o diálogo será mantido, mas em nenhum momento foi informada à comissão alguma data para análise acerca dos decretos”.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar