O cheiro de peixe na cozinha da dona de casa Lana Abreu Pena é forte, mas não é só o odor que está incomodando a moradora do bairro do Cruzeiro em Icoaraci, distrito de Belém. Há cinco dias seguidos ela está sem água nas torneiras nos diversos cômodos de sua casa e sem a expectativa de o serviço ser restaurado.
O segurança Raimundo Pena, de 52 anos, esposo de Lana, disse que os moradores já se reuniram com a intenção de interditar a Rua São Roque, uma das principais vias de acesso, no intuito de chamar a atenção das autoridades para o problema da ausência de água no bairro.
“Já pensamos em diversas maneiras de fazer com que eles vejam o quanto a população sofre com a falta de água, inclusive abaixo-assinado e reclamações conjuntas na Central do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Belém (Saaeb) que fica próxima daqui, mas nada adiantou. Sempre dizem a mesma coisa que houve uma falha na bomba e o problema se agrava e cada vez mais nós é que passamos pelos transtornos sem o serviço”, contou Raimundo.
Com duas crianças pequenas, uma ainda em fase de amamentação, o serviço deveria ser prioridade para a residência que abriga seis pessoas, além de idosos. No entanto, a família conta os dias que o serviço funciona normalmente.
“Durante a semana, a água vem pela manhã e depois não tem mais. Só à tarde ou de noite. Piora quando chegam os períodos de feriados prolongados, como este da semana santa ou época de Natal ou véspera de Réveillon”, disse a dona de casa Lana Abreu, de 47 anos.
Walquíria Paes, uma idosa, de 56 anos, que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) há oito anos se desloca com muita dificuldade portando muletas e a maior parte do tempo sua locomoção é por meio de cadeira de rodas. A idosa é uma das moradoras de uma vila de casas localizada atrás da residência de Raimundo Pena. Quando falta água, o neto de dona Walquíria Paes tem de sair de casa com um balde atrás de locais alternativos.
Apenas uma torneira d’água, mesmo com a água fraca, em frente à residência do casal Pena funcionou durante o dia de ontem. “Quando os vizinhos se dispõem a ajudar quem depende da água encanada ficamos tranquilos por saber que há uma alternativa para a falta de água, mas ninguém tem obrigação de nos ajudar. Mas tem dia que não temos com quem contar e eu me pergunto como fica para utilizar um serviço que deveria ser fundamental para a população e não funciona regularmente? A minha avó depende de familiares para tudo e não pode ficar sem água para suas necessidades básicas”, afirmou o neto Marcelo Paes.
A reportagem tentou contato com a Cosanpa e a Saaeb, mas não conseguiu retorno.
(Diário do Pará)
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