Virou moda na gestão Simão Jatene na área da saúde: em vez de in vestir o dinheiro público construindo ou adquirindo imóveis que se incorporem ao patrimônio do Estado, a administração tucana prefere desembolsar milhões em contratos de aluguel de prédios que são entregues a organizações sociais de for a do Pará que fecham contratos igualmente milionários para gerir hospitais. Foi assim no Hospital Galileu em Ananindeua e o mesmo esquema se repete agora com o Hospital Regional Público de Integração do Leste do Pará, em Paragominas, que foi “inaugurado” por Jatene na última sexta-feira.
Veja a anatomia do desperdício no hospital geral de Paragominas
Pró- Saúde e INDSH dominam hospitais terceirizados
Wladyslaw Lameira Tadaiesky e Gracilda Amorim da Silva são sócios na empresa Tadaiesky e Silva Ltda. que administrava o Hospital Geral de Paragominas. A intenção dos dois era vender o prédio onde funcionava a instituição, que era uma instituição particular. Para tanto, contrataram a empresa MAS Serviços de Construção Civil Ltda., que realizou uma avaliação no prédio e nos equipamentos que apontou um valor de venda na ordem de R$ 13,5 milhões.
Prova maior que os sócios queriam passar o imóvel à frente foi que deram procuração pelo prazo de 120 dias – a contar do dia 22/01 desse ano - para Wilson Araújo e Silva, para que pudesse vender a empresa Tadaiesky e Silva Ltda. e todos seus bens móveis e imóveis. As cópias da avaliação do prédio e da procuração estão em poder do DIÁRIO.
Ocorre que no dia 01/04 passado, antes mesmo que o prazo da procuração encerrasse, como num passe de mágica, os sócios da empresa desistiram da venda e a Secretaria de Estado de Saúde pública entrou na jogada, publicando no Diário Oficial do Estado o contrato nº 19/201 4 fechado com a empresa Tadaiesky e Silva Ltda. no valor de R$ 1,8 milhão ao ano (R$ 150 mil ao mês) para locação do Hospital Geral de Paragominas e todos os bens que dele fazem parte a contar do dia 31/03/201 4 até o dia 31/03/2024 - ou seja, por 10 anos.
Ao final do contrato, o governo desembolsará exatos R$ 18 milhões, quase R$ 5 milhões a mais que o valor de venda do imóvel. A pergunta que fica é: porque o Estado não desembolsou o valor integral e incorporou o imóvel ao seu patrimônio? Porque preferiu gastar mais com aluguel?
Enquanto isso o Hospital Geral de Ipixuna, a menos de 100 quilômetros de Paragominas, uma das promessas de campanha do governador, teve as obras paralisadas. Como o governo não consegue concluir nenhuma obra, adotou a prática de alugar imóveis, reformar e inaugurar com a bastante publicidade paga com o dinheiro público como se fosse novo.
No dia 2 passado, apenas dois meses após a publicação do contrato de locação do hospital, veio o arremate: a Sespa publicou no DOE o contrato 28/201 4 com o nome da empresa que irá gerenciar e operacionalizar os serviços de saúde no Hospital de Paragominas: a organização social (OS) mineira Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), que receberá, por ano, a bolada de R$ 37 .516.000, considerada nos meios médicos como a “Pro Saúde cover”, devido suas conhecidas ligações com a OS paulista preferida do governador Simão Jatene - e que fatura mais de R$ 300 milhões anos para administrar cinco hospitais regionais no Pará.
O INDSH, para quem não lembra, é outra OS que encontrou a mina de ouro em terras paraenses: para administr ar o Hospital Regional de Tailândia, recebe do governo R$ 19,2 milhões por ano.
O contrato com a organização foi assinado em 5/07/2013. Dez dias depois, saiu no Diário Oficial do Estado um aditivo no valor de R$ 3,6 milhões, que eleva o valor total do contrato deste hospital para R$ 22,8 milhões ao ano. O mesmo instituto também gerencia o hospital de Breves, no Marajó.
(Diário do Pará)
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