O procedimento é o mais simples possível. Basta que o nome da doença seja digitado em um site de buscas para que as mais diversas informações sejam anunciadas. Com apenas um clique, os mais variados sites apresentam os principais sintomas, as possíveis causas, os diferentes tipos e os tratamentos existentes. É exatamente aí que está o perigo.
Já anunciada este ano através de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ), a prática da automedicação ainda é bastante forte no Brasil, onde a média de ingestão de medicamentos sem prescrição médica é de 76,4%. Este problema pode ser agravado pelas facilidades oferecidas pela internet. “Na internet há muitos portais confiáveis, como o da Associação Médica Brasileira, do Conselho de Medicina, mas há portais onde as informações são colocadas por qualquer pessoa e é preciso ter cuidado”, aconselha a clínica geral que atua na área de urgência e emergência Nádia Albuquerque. “A pessoa digita o nome de uma doença e aparecem milhares de definições e o risco está em tentar se enquadrar naquele sintoma descrito no site e acabar confundindo uma doença com outra”.
SINTOMAS
Um dos sintomas mais comuns em todo o mundo, uma simples dor de cabeça pode significar a ocorrência de doenças diferentes. Sem que possibilite a análise individual e minuciosa do problema, a internet não é capaz de determinar que tipo de medicação ou tratamento é mais eficaz.
“A dor de cabeça é um dos sintomas mais comuns e ela pode ser tensional, quando a pessoa está muito estressada; pode ser uma enxaqueca; pode significar uma hipertensão arterial ou até um tumor cerebral”, exemplifica a médica. “É muito difícil a pessoa tomar remédio indefinidamente sem saber o que é de fato. O apropriado é ir a um especialista para investigar os sintomas e, assim, fazer um tratamento direcionado para aquele problema.”
Em Belém, 78% usam remédios sem receita médica
Ainda que não esteja direcionada à automedicação proporcionada pela internet, a pesquisa do ICTQ aponta a posição preocupante da capital paraense no ranking onde o uso de medicamentos sem prescrição médica é maior. Acima da média nacional, 78% dos
habitantes de Belém confessaram consumir medicamentos por conta própria. Ainda mais perigosos, 8,2% das pessoas declararam que fazem uso de medicamentos de tarja preta ou vermelha sem consulta médica.
Independente do tipo, a médica Nádia Albuquerque faz questão de ressaltar os perigos de se ingerir qualquer medicamento de forma indiscriminada. “Todo medicamento é uma substância química que tem a finalidade de curar sintomas ou doenças que a pessoa apresenta”, lembrando que são muitas as possibilidades da automedicação causar ainda mais danos à saúde. “Toda substância tem efeitos colaterais como, por exemplo, alguns medicamentos que podem causar irritação gástrica. Também há medicamentos que possuem contraindicações e normalmente a pessoa não sabe dessas contraindicações”.
A médica também alerta para os riscos de a pessoa possuir alergia a alguma substância contida no medicamento. Situação que, em casos extremos como de choque anafilático, pode levar até a morte. Ainda há o risco de ocorrência de interações medicamentosas, quando uma pessoa já faz uso por um longo período de algum medicamento que, ao ser consumido junto com um novo medicamento, pode reagir e ter seus efeitos anulados ou potencializados. “O médico é quem conhece o estudo da fórmula química e o metabolismo do organismo para poder transcrever um ou outro medicamento”, reforça Nádia. “O uso de medicamentos sem esses conhecimentos é muito perigoso.”
(Diário do Pará)
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