O caso que resultou em uma pessoa baleada por um policial militar na tarde da última terça-feira no Ver-o-Peso, em Belém, será apurado pela Corregedoria da Polícia Militar, que terá 40 dias para concluir o inquérito policial militar e encaminhar um relatório para a promotoria militar, vinculada ao Ministério Público do Estado (MPE).
O promotor de justiça Armando Brasil, da promotoria militar do MPE, pediu ontem a abertura de dois procedimentos para apurar as condutas de dois policiais militares que atuaram na abordagem, na qual um deles efetuou um disparo contra Marcelo Rodrigues, de 28 anos, que seria um feirante.
Armando Brasil disse que a punição pode chegar até a uma expulsão. “O inquérito policial militar vai apurar a questão da infração penal, que irá redundar em uma ação penal contra as condutas desses policiais militares. Quanto ao processo administrativo disciplinar é para que a Corregedoria aplique uma punição disciplinar à guarnição, que varia de uma advertência, uma censura e até uma expulsão”, explicou.
Segundo o promotor, todos os policiais da guarnição que atuaram naquela abordagem estão temporariamente afastados de suas funções. Para Armando Brasil, outros recursos que poderiam conter o feirante deveriam ser usados. “A resistência que eles dizem que o cidadão teve é um “tapinha” que ele deu no policial. Mas ele não estava armado e não reagiu. Então era possível que os policiais utilizassem outros meios de contenção, como uma ‘chave de braço’ e utilizar as algemas em seguida”, ponderou.
A Polícia Civil informou que apenas a denúncia foi formalizada, com o depoimento do feirante. O responsável pelo caso é o delegado Eloi Fernandes.
Imagens
As imagens feitas por parentes do feirante e divulgadas na internet mostram dois policiais, um deles atira no homem e o outro que não conteve a atitude do colega; auxilia no primeiro momento, mas também não evita a atitude do policial, que continua o procedimento com agressividade. O policial sai arrastando o cidadão, mesmo depois que ele já estava ferido e não apresentava nenhum sinal de ameaça ou de resistência.
O pai do feirante, Francisco Barreto Rodrigues, de 52 anos, trabalha no Ver-o-Peso há mais de 40 anos e disse que a motivo da abordagem policial seria uma desavença antiga. “Quando ele era menor de idade, ele puxava cordões das pessoas, mas depois que se tornou adulto, nunca mais fez isso”, disse.
Tráfico impera
Um feirante que não quis se identificar e que trabalha há muitos anos em uma barraca na Feira disse apenas que “o policiamento é importante e que geralmente é feito por três policiais. E ainda que o aumento do tráfico de drogas na área pode ter sido a motivação da abordagem ostensiva”, comentou.
Na avaliação do promotor, a lesão foi grave, porque a pessoa ficará mais de trinta dias afastada de sua ocupação e o fato poderia até resultar em um homicídio. “Se essa bala toca em uma veia femural, então o caso se enquadraria em um homicídio. Então, a princípio seria lesão corporal grave”, disse.
Crimes como concussão (quando o policial militar exige pagamento indevida) tem gerado muito mais volume em processo para a Corregedoria do que de lesão corporal. Outros casos que vêm crescendo bastante são as perdas de pistolas de policiais para criminosos.
(Diário do Pará)
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