De lá para cá, a montanha de dinheiro torrada em propaganda nunca mais parou de crescer, em uma contradição até escandalosa com a realidade. Porque enquanto crescia a propaganda, ao longo dessas quase duas décadas, o Pará verdadeiro, sem maquiagem, rolava ladeira abaixo em todos os indicadores sociais. Em 2000, por exemplo, já havia caído do 17o para o 19o lugar no ranking do IDHM do Brasil. Em 2010, despencara para o 24o lugar, empatado com o Piauí e à frente apenas do Maranhão e de Alagoas.
Isso aconteceu porque o crescimento do IDHM do Pará, entre 1991 e 2010, foi de apenas 56,41% - o quarto menor entre os 16 estados do Norte e Nordeste, as regiões mais pobres do País. Naquele período, nessas duas regiões, só Amapá, Roraima e Pernambuco cresceram menos que o Pará.Mas esses três estados sempre estiveram à frente do Pará, em termos de IDHM.
É uma pena: se o IDHM tivesse crescido tanto quanto a propaganda, em especial a paga ao Grupo Liberal, hoje o Pará seria o campeão de desenvolvimento humano do Brasil. Não seria, como de fato é, o “vice-campeão” nacional de homicídios (só perde para Alagoas), nem viveria pagando mico nas reportagens das grandes redes de televisão.
(Diário do Pará)
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