Já estão em poder do Ministério Público Estadual os contratos assinados entre a distribuidora de combustíveis Equador e a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros para abastecimento da frota de veículos dos dois órgãos públicos. Os contratos serão auditados por equipes do Núcleo de Combate à Improbidade Administrativa e Corrupção.
A Distribuidora Equador de Produtos de Petróleo foi contratada pelo Estado após vencer uma tomada de preços para o fornecimento de combustíveis. Pelo contrato, a empresa emite cartões (batizados de Petrocard) que são usados na rede credenciada. O Estado paga à Equador, que repassa o dinheiro aos postos. Entre os credenciados estão estabelecimentos que pertencem a Alberto (Beto) Lima da Silva Jatene, filho do governador do Pará, Simão Jatene.
O procurador Nelson Medrado e o promotor militar Armando Brasil, que comandam as investigações, não falam sobre o andamento do trabalho, mas fontes da própria Polícia Militar afirma que há fortes indícios de favorecimento aos postos de Beto Jatene, filho do governador Simão Jatene. Dados prévios mostram que, de 2011 para cá, os estabelecimentos do filho do governador podem ter faturado mais de R$ 20 milhões com as vendas à PM e ao Corpo de Bombeiros.
CERTIDÕES
No programa eleitoral, o candidato Simão Jatene chegou a negar que os postos fossem propriedade do filho, mas não negou a relação de Beto com o abastecimento de carros do estado. De acordo com a propaganda eleitoral, Beto teria “apenas arrendado” os estabelecimentos. Mas não é o que revelam documentos da Junta Comercial do Pará (Jucepa), cujas cópias estão em poder do DIÁRIO.
Entre esses documentos há, por exemplo, o que trata da alteração contratual do Posto Girassol Ltda. Nele, há o registro da entrada de novos sócios, entre eles Beto Jatene. O documento é de 1º de março de 2011, exatamente dois meses após o pai do empresário ter assumido o governo do Estado.
Mesmo com a intermediação da distribuidora Equador, não vai ser fácil para o atual governo explicar o favorecimento aos postos do filho do governador. Afinal, é difícil aceitar que, entre tantos estabelecimentos tradicionais no Estado, a Equador, empresa que, segundo registros, tem origem em Pernambuco, tenha escolhido credenciar os postos do filho de Jatene e supostamente sem qualquer interferência do alto escalão do governo.
Caso fique comprovado favorecimento apontado nos contratos já em análise, os responsáveis pelo contrato poderão ser indiciados por crime de improbidade administrativa e podem ter que devolver os recursos consumidos no negócio para os cofres públicos.
NEGÓCIOS COM O DINHEIRO PÚBLICO
Beto Jatene começou a atuar no mercado de combustíveis em 2006, ainda no primeiro mandato do pai, Simão Jatene. O primeiro posto comprado por ele foi o Verdão (travessa Doutor Freitas, 1546, bairro da Pedreira). Nos documentos em poder do DIÁRIO, o Verdão aparece na lista de estabelecimentos onde os carros do governo abastecem, entre eles, os da PM e dos Bombeiros.
Nessa operação, a transferência de capital do Verdão para Alberto Jatene e mais três sócios teria custado R$ 25 mil, enquanto a receita líquida do Verdão naquele ano foi de R$ 7,9 milhões. Em abril de 2012, após várias alterações contratuais e já no segundo governo Jatene, o Verdão passou a pertencer a apenas dois sócios: Beto Jatene e Eduardo Simões Araújo. O segundo posto de Beto foi o Umarizal (Jerônimo Pimentel, 651, Umarizal), adquirido em março de 2007, três meses depois que o governador Jatene deixou o governo. A transferência de quotas do posto Umarizal custou R$ 80 mil. O capital ficou dividido entre Eduardo Araújo (R$ 26.400); Beto Jatene (26.800) e Ricardo Augusto Garcia de Souza, (R$ 26.800). Ricardo é marido de Izabela Jatene, a outra filha do governador. Segundo o Serasa, o Umarizal fatura R$ 8,9 milhões anuais.
O terceiro posto, o Girassol, na Augusto Montenegro, foi comprado em março de 2011. A transferência de quotas para três sócios teria ficado em apenas R$ 50 mil, apesar do faturamento estimado em R$ 3,8 milhões anuais. Em 16 de novembro de 2012, o Girassol passou a pertencer apenas a Beto Jatene (com R$ 16.665 das quotas) e Eduardo Simões Araújo (R$ 33.335).
(Diário do Pará)
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