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\"Eu acredito que o governador nunca veio aqui\"

Cumprida a travessia de rabeta em pouco mais de sete minutos, as dificuldades apontadas pela população em Salvaterra são novamente conhecidas em Soure, município vizinho. Diante da tradicional mensagem de boas vindas instalada na entrada da cidade, os pro

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Cumprida a travessia de rabeta em pouco mais de sete minutos, as dificuldades apontadas pela população em Salvaterra são novamente conhecidas em Soure, município vizinho. Diante da tradicional mensagem de boas vindas instalada na entrada da cidade, os problemas começam com o deslizamento de parte do porto.

Morador de Soure desde o nascimento, porém, o pescador João Carlos Santos, 61 anos, vê na saúde o principal problema do município. Já tendo enfrentado três cirurgias no coração, a cidade onde mora não oferece, segundo ele, atendimento cardiológico no único hospital de maior porte no local. “Nem toda vez tem medicamentos. Geralmente tem que ir para Belém. Eu mesmo só me trato em Belém, já fiz três cirurgias, todas lá”, lembra. “Aqui não tem cardiologista. Se tiver alguma coisa no coração, tem que tomar um remédio qualquer aqui e ir correndo para Belém. O governo não se empenha para fazer alguma coisa pela gente... a gente pena”.

Com o resultado das eleições que definiram os governadores de Estado brasileiros ainda entre os comentários da população, o pescador faz questão de destacar a insatisfação de boa parte do povo marajoara com a atual gestão, reeleita em segundo turno. Somente no município de Soure, o governador Simão Jatene recebeu menos votos que o total de abstenções no segundo turno. “Tá todo mundo insatisfeito, por isso o governador perdeu aqui. O pessoal queria mudança...”, acredita. “Eu acredito que o governador atual nunca veio aqui”.

Também sentindo na pele as mazelas da saúde pública em Soure, o aposentado Francisco Sales teme que a situação fique ainda pior. “Eu acho que ele (governador) tem raiva daqui, porque tá deixando muito a desejar no Marajó. Aqui, se ficar doente, só dá para tratar se for dor de cabeça e febre. Se for algo mais crítico, tem que ir para Belém”, confirma. “No hospital que o governo administra, remédio não tem. Ontem (quarta-feira) pedi pra minha mulher ir pegar o meu remédio porque sou hipertenso e não tem. Tem cinco meses que não tem mais. Tô tendo que comprar”.

Das obras já realizadas no município pelo governo do Estado nos últimos anos, o aposentado só recorda do asfaltamento da chamada 4ª rua – que, segundo ele, seria responsabilidade do Estado. Iniciada, segundo o morador, no período da eleição, a obra foi interrompida sem que toda a pista fosse asfaltada. “Na época, antes desse segundo turno ele mandou asfaltar só um lado da 4ª rua, o lado que eles dizem que é do governo porque é rodovia. Só que não chegou até o fim. Fez a cabeça da rua e o rabo deixou a completar depois que passou a eleição. Ele não trabalhou quatro anos? Porque não fez isso antes? Foi fazer justamente nesse período e ainda deixou um pedaço faltando”, questiona. “O povo tá muito insatisfeito, por isso ele (Simão Jatene) perdeu feio aqui em Soure. A gente já nem sabe o que espera porque não fizeram nada".

(Diário do Pará)

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