<p>“Tanto em Ananindeua quanto em Belém, mais de 80% do quadro de funcionários são de prestadores de serviços que trabalham sem nenhum direito trabalhista. Eles não recebem o décimo terceiro nem férias, não têm FGTS nem auxílio doença. É o dever do município dar condições de trabalho e garantir os direitos dos trabalhadores”, afirma o diretor do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), João Gouveia.</p>
<p>“Além dos atrasos nos pagamentos, os salários são ridículos e é por isso que os médicos não querem mais trabalhar para o município”.</p>
<p>Na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Icoaraci, os médicos resolveram fazer uma redução nos atendimentos na unidade devido à sobrecarga de trabalho e de estarem com os salários atrasados.</p>
<p>No mês passado, os funcionários promoveram um ato no local e, assim, conseguiram receber os salários. A categoria reclama ainda das condições ruins de trabalho e reivindicam a regularização trabalhista, pois exercem a função de prestadores de serviços sem os direitos assegurados por lei. </p>
<p>“São 14 direitos trabalhistas, previstos na CLT ou no regime estatutário, que não estão sendo garantidos. As UPAs se transformaram em grandes postos de saúdes, pois estão atendendo a demanda dos prontos-socorros e Unidades de Saúde da Família. Devido a isso, na UPA de Icoaraci, faltam materiais, equipamentos, medicamentos e as instalações estão sendo deterioradas”.</p>
<p>Segundo Gouveia, apesar de as UPAs serem classificadas em baixa, média e alta complexidade, na prática, esse atendimento especializado não funciona, pois os médicos acabam tendo de atender a todo tipo de situação.</p>
<p>“Na verdade, os médicos estão adequando o perfil da UPA de Icoaraci, que é de média complexidade e seria para atender ferimentos, casos de pneumonia, atendimento inicial de pacientes enfartados ou que sofreram acidentes sem grande gravidade. A diferença entre as UPAs é que algumas têm mais equipamentos e suporte do que as outras. Mas deveria apenas estabilizar o quadro do paciente e encaminhar para os hospitais”.<br /> <br /> <strong>REUNIÃO</strong></p>
<p>Gouveia disse ainda que está marcada uma reunião para amanhã entre os representantes do Sindmepa e direção da Secretaria Municipal de Belém (Sesma), na qual os sindicalistas devem expor diversos problemas enfrentados pela categoria no âmbito municipal. </p>
<p>“Não vamos conversar apenas sobre a UPA de Icoaraci, mas também falar das condições ruins em que se encontram os PSMs da 14 de Março e Guamá, constatadas durante recentes visitas que fizemos. O atendimento de saúde em Belém e em Ananindeua está precário. As médicas, por exemplo, não têm direito de engravidar. Isso é inadmissível”.</p>
<p>A situação na UPA de Ananindeua não é muito diferente. Gouveia afirma que os médicos que atuam no local também reivindicam melhorias nas condições de trabalho. Por esse motivo, no fim de outubro passado, o sindicato reuniu com o prefeito do município, Manoel Pioneiro.</p>
<p>“Estamos aguardando que o prefeito Manoel Pioneiro faça a assinatura do acordo feito com os trabalhadores. Ele está faltando com respeito com o sindicato, porque até o momento não devolveu o documento assinado. É uma série de reivindicações sobre condições de trabalho, regularização contratual e o comprometimento de não atrasar mais os salários. Algumas coisas foram atendidas e outras, não. Os médicos acabam não dando a atenção devida aos pacientes pela sobrecarga de trabalho”, finaliza.</p>
<p>(Diário do Pará)</p>
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar