A falta de vagas no Centro Municipal de Referência em Educação Infantil Gunnar Vingren, no conjunto Sabiá, no bairro do 40 Horas, em Ananindeua, deixou pais e responsáveis revoltados na manhã de ontem.
A fila se formou a partir das 21h de quarta-feira, 7, porém, ao amanhecer, as pessoas foram informadas de que só poderiam ser matriculadas 83 crianças. O Conselho Tutelar foi acionado e prometeu entrar com ação contra a prefeitura.
A dona de casa identificada apenas como Patrícia é mãe de dois filhos. Para conseguir um emprego, ela precisa deixá-los em uma creche, porém a procura já dura dois anos. Hoje ela vive apenas com a esperança de conseguir uma vaga.
“Desde o início de 2014 tento arrumar uma vaga para as minhas crianças. Moro apenas com elas e meu marido. Como a situação financeira é complicada, precisamos de um lugar para elas ficarem, mas até hoje não conseguimos nada”, disse.
Mesmo não medindo esforços para matricular os seus filhos em uma creche, a dona de casa voltou para casa sem nenhuma resposta para o seu problema.
“Cheguei aqui às 4h. Na madrugada tinha muita gente. Tiveram pessoas que chegaram aqui às 21h de ontem (quarta-feira) e também não conseguiram.
O rapaz informou que só abriram 83 vagas e que alguém ficaria de fora. Agora não sei como é que eu vou fazer para não deixá-los sozinhos. Preciso trabalhar”, afirmou, desapontada.
LEI DA MORDAÇA
Enquanto a reportagem estava no local, alguns pais foram impedidos de falar com a imprensa, sob ameaça de um funcionário que não quis ser identificado. Regiane Alves é moradora do conjunto.
“Para conseguir uma vaga, que é de direito, as pessoas são obrigadas a passar por isso. Acho um absurdo essa situação. Até chuva eles pegaram. Alguns pais estavam com crianças aqui e, pela manhã, não conseguir matricular os filhos é triste, isso revolta qualquer pessoa.”
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(Diário do Pará)
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