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Capital é a 9ª do Brasil no ranking do crime

E sobre ser a nona cidade mais violenta do Brasil, poucas vezes Belém fez tanto jus a um título como fez no ano passado. Mais especificamente entre os dias 4 e 5 de novembro, quando pelo menos quatro bairros - Terra Firme, Guamá, Jurunas e Cremação - vive

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E sobre ser a nona cidade mais violenta do Brasil, poucas vezes Belém fez tanto jus a um título como fez no ano passado. Mais especificamente entre os dias 4 e 5 de novembro, quando pelo menos quatro bairros - Terra Firme, Guamá, Jurunas e Cremação - viveram mais de 12 horas de terror após o assassinato do policial militar Antônio Marco da Silva Figueiredo, o “cabo Pet”, pertencente à Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam) e também suspeito de envolvimento com grupos de extermínio com atuação principalmente na periferia da capital.

À morte dele, outras dez se seguiram em retaliação, e, graças à fluidez e ao estardalhaço que causaram as notícias disseminadas sobre o assunto a todo momento pelas redes sociais, a população de Belém não quis ir ao trabalho, à escola, à rua, com medo de ser mais uma vítima na onda descontrolada de assassinatos da ocasião que ficou conhecida como a “chacina de Belém”.

O burburinho chegou a dar conta de mais de 110 assassinatos, embora oficialmente só tenham sido registrados onze, contando com a de “Pet”.

A Segup e a PM, por meio de seu comandante geral, o governador do Estado, demoraram dois dias para se pronunciar e podiam ter ficado sem fazê-lo: Jatene, em um discurso cheio de palavras macias e eufemismos, chegou a sugerir, sem dizer, mas dizendo, algo como um toque de recolher para evitar novos crimes, ao afirmar que “a sociedade recua em determinados procedimentos que criam ambientes favoráveis ao crime. Não é culpa, é uma questão natural da sociedade!”, durante a coletiva de imprensa realizada na manhã do dia 6 de novembro, na sede do Comando Geral da Polícia Militar, declarando ainda que “tudo começa na aglomeração”, e sem falar em ações efetivas de prevenção e repressão à violência.

A promessa de respostas sobre o que de fato aconteceu em 4 e 5 de novembro e as respostas sobre a motivação dos assassinatos foram devidamente feitas à ocasião pelos líderes da Segurança Pública, mas como promessa permanecem até hoje.

Foi preciso a oposição da Assembleia Legislativa se mobilizar para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito a fim de investigar, de forma à parte, o ocorrido, e só esta semana, passados quase três meses do aterrorizante episódio que não deve ser esquecido tão cedo da cabeça dos belenenses, sai o relatório preliminar das investigações, e com ele a esperança para quem perdeu seus parentes e amigos de entender como Belém chegou ao ponto que chegou.

(Diário do Pará)

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