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Ritmo acelerado marca preparação de escolas

A campeã do Carnaval 2014, o Rancho Não Posso Me Afiná, às vésperas de completar 81 anos, investirá em uma estratégia que vem dando certo desde 2005, quando o Clube do Remo foi homenageado. Depois do centenário do Paysandu, ano passado, chegou a hora de c

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A campeã do Carnaval 2014, o Rancho Não Posso Me Afiná, às vésperas de completar 81 anos, investirá em uma estratégia que vem dando certo desde 2005, quando o Clube do Remo foi homenageado. Depois do centenário do Paysandu, ano passado, chegou a hora de celebrar os 100 anos da Assembleia Paraense. Através do enredo “Saga Cinco Estrelas Bordada a Ouro Pelo Tempo”, a agremiação irá para a avenida confiante na dobradinha. “Nós encaramos o desafio de levar a Assembleia Paraense para o desfile como uma grande responsabilidade. É uma instituição respeitada não só no Pará, mas reconhecida em todo o Brasil por sua tradição e por seu valor”, detalha o presidente da escola jurunense, Jango Vidal.

Para surpreender o público, novidades que não podem ser reveladas. “Fica complicado falar alguma coisa, porque é preciso ver o desfile pra compreender nossa proposta”, afirma Vidal. O presidente do Rancho é um dos que comemoram o fato de o desfile, seguindo a proposta do ano passado, ser adiantado para o “sábado magro”. “No ano passado essa mudança fez o desfile ser um sucesso de público e este ano a tendência é crescer mais. As pessoas ainda não viajam neste período, a cidade está cheia e muita gente vai nos prestigiar”, ressalta.

A Bole-Bole faz a alegria dos moradores do Guamá há 31 anos e, em 2015, homenageará o berço da cultura do bairro através do enredo “Sambanguê-Bumbá: É Festa na Pedreirinha do Guamá”. A intenção é valorizar o banguê, dança trazida ao Pará pelos negros e popular na região sudeste do estado. Além disso, a agremiação entrará na avenida saudando o Boi Malhadinho, famoso no bairro, e o grupo de carimbó Caldo de Turu. “A Pedreirinha é o berço da cultura guamaense e nós estamos muito contentes por levar um pouco desta riqueza ao público que vai acompanhar o resultado do nosso trabalho”, afirma Paulo Alcântara, presidente da escola. Ao ser indagado a respeito das novidades deste ano, Paulo já tem uma resposta pronta: “A Bole-Bole todo ano traz uma inovação, mas eu não posso falar nada porque isso fica guardado pra o dia 7”, despista.

Para ele, o grande diferencial da escola é a capacidade de contornar obstáculos para fazer o carnaval em Belém. “Para você ter uma ideia, sai mais em conta pedir alguns materiais em São Paulo do que comprar em Belém. Aqui, quando conseguimos encontrar o que queremos, está muito caro. Nós não temos apoio do Estado e a Fumbel, faltando duas semanas para o carnaval, ainda não liberou nosso dinheiro. Fazemos tudo na base do cartão de crédito e de colaboradores que nos ajudam como podem”, lamenta. Cerca de 200 pessoas trabalham de graça, “movidas a sopão”, dia e noite, para garantir o carnaval da Bole-Bole. “Às vezes é tanto problema, tanta dor-de-cabeça, que a gente até pensa em desistir. Mas a força da comunidade é muito grande e nós sempre encontramos uma forma de seguir em frente”, completa Paulo Alcântara.

O tema do desfile do Império de Samba Quem São Eles deste ano, preparado desde o final de outubro, será “Rio Abaixo, Rio Acima, No Amazonas Vamos Navegar”. O presidente da escola, Luis Omar, foi prático no rio Amazonas e explica que a escola irá contar detalhadamente a história do maior rio do mundo. “O Amazonas não é só o maior rio em volume de água, ele também é o maior em extensão. Muda-se o nome, mas o rio permanece o mesmo”, esclarece. A trama criada pelo Quem São Eles irá abranger desde a navegação dos ribeirinhos, passando pelos barcos a vapor e a lenha, até os modernos navios com aparelhos de GPS que singram as águas do Amazonas. “Quando se fala em Amazônia, se representa muito a fauna, a flora, e parece que não é lembrado que boa parte do território é feito de rio, de água”, observa.

Há 18 anos o Quem São Eles não leva o trofeu do carnaval. Este ano, no entanto, a escola montou uma estratégia esperta para conquistar os jurados: um samba-enredo cadenciado que deve estar na boca de todos na avenida. “Vão ser 1,3 mil brincantes cantado. É um samba forte, muito bonito e harmonioso, que vai ser um dos grandes diferenciais do nosso desfile”, adianta Luis Omar. No total, serão 11 alas, sem contar as baianas e a bateria, e três carros-alegóricos. “A Águia Guerreira do Umarizal vem com fome para dar uma mordida neste título”, garante o presidente da escola.

HOMENAGEM AO ACARÁ

A Piratas da Batucada virá com o enredo “Acará 140 Anos - Nesta Festa Vou Celebrar”, com samba de Fabrício Monteiro, Diego Trindade e Dito Reis. No entanto, a escola não ficará atrelada a fatos históricos ou à cronologia. “Queremos um carnaval diferenciado, sem fantasias ou alegorias convencionais, mostrando aos jurados toda a criatividade na construção do enredo”, anuncia Jamil Mouzinho, diretor de carnaval.

As crenças populares, as festividades, o avanço na produção industrial e o desenvolvimento socioambiental do município são alguns dos aspectos representados pelas diversas alas e carros alegóricos da escola. “O município está recebendo as instalações de uma fábrica de biodiesel, por isso, nossa grande aposta está no segundo carro da escola, que traz como tema esse avanço industrial com preocupação ecológica”, declara Mouzinho. Algumas alas serão de moradores do município homenageado.

Com samba de Ademir do Cavaco, Haroldo do Cavaco e Xaxá, a Associação Carnavalesca Xodó da Nega levará para a avenida o tema “Negra África – Negra, A Raça da Mulher Guerreira”. “Vamos falar da liberdade, da construção da resistência negra vinda das guerras e guerrilhas que ocorreram no Congo (atual Angola), destacando personagens como Teresa de Benguela, que, com a morte do marido, tornou-se líder do Quilombo Quariterê e ajudou sua comunidade negra a resistir à escravidão”, destaca Antônio Ferreira, porta-voz da escola.

Ele adianta que a Xodó da Nega entrará na avenida com dez alas e três carros alegóricos. Diante do tema tão vasto e ligado a uma cultura tão diversificada, a diretoria da escola acredita que sua força está no figurino, no ineditismo da temática e, principalmente, na bateria, que para este desfile passou a incluir instrumentos afros como o afoxé e o agogô, que são percussivos.

Imagine seu tempo de criança, brincando com tudo que tem direito. Assim foi pensado o enredo “Faz de Conta – Esse Mundo Maravilhoso Infantil”, da Associação Carnavalesca A Grande Família, com samba de Lula Miranda. “Reunimos as maravilhas do mundo infantil, cheio de brinquedos e personagens amados até os dias de hoje, como a Mônica, o Cebolinha e o Cascão, de Mauricio de Souza, além de Monteiro Lobato e o seu Sítio do Pica-Pau Amarelo”, adianta Teo Mascate, presidente da escola.

Com enredo fácil, leve e que tem toda a alegria das brincadeiras de criança dentro do samba, nas fantasias altamente coloridas, não será difícil gerar a animação necessária na hora de entrar na avenida em busca do primeiro lugar do grupo A. “A criançada está convidada a participar este ano do carnaval junto com a gente. Está tudo muito bonito, colorido e atraente. Queremos que nesse carnaval todo mundo se torne criança”, convida Mascate.

A Escola de Samba da Matinha trará para a passarela do samba do carnaval paraense as belezas naturais, o misticismo e todos os encantos do arquiélago do Marajó, com o enredo: “Mibaraió – A Encantadora Ilha do Marajó”, samba de autoria de Alcyr Guimarães e Ademir da Marcação. Entrarão na avenida três carros alegóricos: o abre-alas, apresentando os indígenas e a cerâmica marajoara; o segundo, dando destaque para a fauna e a flora das ilhas; e o terceiro, envolvendo a cena ribeirinha, principalmente, a cultura.

“Varando os igarapés/pelejando com as águas do mar/entre os aningais e mururés/Marajó a Matinha vem cantar”, diz o refrão do samba enredo. Nas alas, de tudo um pouco sobre a ilha encantada: o açaí e os barcos, os pescadores e o carimbó, além da festa de São Sebastião de Cachoeira do Arari. Entram nos destaques da Matinha dois casais de mestre-sala e porta-bandeira, além da porta-estandarte intitulada “A Borboleta Azul”, nome que já deixa o público na expectativa para ver muita beleza no desfile da escola.

(Diário do Pará)

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