Instalado às margens da Transamazônica e mundialmente conhecido a partir dos conflitos de terra que culminaram no assassinato da missionária Dorothy Stang - que este mês completa dez anos -, o município de Anapu ainda enfrenta dificuldades para eliminar o desmatamento ilegal, como muitas outras cidades paraenses, mesmo após passar a integrar a lista dos municípios prioritários para ações de controle do desmatamento do Ministério do Meio Ambiente desde 2012.
Os problemas causados pelo desflorestamento ilegal no município seguem para muitas famílias. Uma delas é a de Fábio Lourenço de Souza, morador do PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável) Esperança, assentamento firmado em Anapu desde a época da missionária Dorothy Stang.
Fábio de Souza conhece bem a realidade que ainda cerca os assentados. Ainda que muitos já consigam viver nos lotes retomados pelo poder público, através da atuação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ao redor ainda coexistem terras concentradas nas mãos de pessoas que promovem desmatamentos sem serem incomodados.
“Tem área sub judice, sem posse e que, ainda assim, tem plano de manejo aprovado pela Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente). Como isso é possível?”
Diretamente relacionada com a questão da titulação e posse da terra e, consequentemente, com o controle do desmatamento através da responsabilização do seu autor, os desafios da implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no Estado serão abordados na segunda matéria da série “Pará - Gargalos na redução do desmatamento até 2020”.
(Diário do Pará)
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