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Esposas denunciam precariedade em presídios

“Os internos vivem em uma condição absurda. A comida é podre, cheia de bichos, não tem remédios, ratos andam por todos os lados, presos com tuberculose e Aids dividem cela com os saudáveis, sem contar que lá dentro a insegurança impera. Eles cometeram cri

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“Os internos vivem em uma condição absurda. A comida é podre, cheia de bichos, não tem remédios, ratos andam por todos os lados, presos com tuberculose e Aids dividem cela com os saudáveis, sem contar que lá dentro a insegurança impera. Eles cometeram crimes, mas já cumpriram pena. Aliás, a pena do meu marido acabou há três meses, mas ele ainda não conseguiu liberdade”. Este é o relato de uma das esposas de internos do Complexo Penitenciário de Americano, em Santa Isabel do Pará, Região Metropolitana de Belém, que realizam um protesto nesta terça-feira (24) cobrando melhorias no local.

Em frente à penitenciária desde o começo da manhã, o grupo de cerca 70 mulheres continua acampado, aguardando resposta da comissão de manifestantes que foi se reunir com o juiz da segunda vara de execuções penais para discutir as reivindicações da categoria, que pede melhor tratamento aos internos. Elas afirmam ainda que, caso não tenham uma resposta positiva, devem interditar a rodovia BR-316.

“Vamos fazer o protesto por que não há mais como esperar. A Justiça não divulga, mas nós sabemos do que ocorre. Foram 15 mortes de presos em menos de três meses. Eles ficam doentes, se agridem, não recebem tratamento, banho de sol ou comida decente”, afirma uma das manifestantes, que preferiu não se identificar.

“Eles cometeram crimes, mas estão pagando por isso. Meu marido já cumpriu a pena dele, depois de 10 anos preso, e não consegue liberdade por falta de um simples exame criminológico, que já foi solicitado há seis meses, mas nunca é feito. Sabemos de outros casos parecidos com o dele. Eles são gente, mas são tratados como animais”, continuou.

As esposas ainda afirmam que a falta de recursos e alimentos são constantes nos locais, assim como as agressões. “Qualquer pessoa pode vir aqui na frente nos fins de semana e vai ver montes de esposas com sacos de arroz, comida, pasta de dente ou remédio. Porque ai dentro não tem nada. O Jatene diz que gasta R$ 1,5 mil com cada preso do Pará. Não sei para onde vai esse dinheiro, mas não chega nos nossos maridos”, afirmou outra esposa. “Além de sofrer com a falta de tudo, eles ainda são agredidos durante as revistas policiais, chegando a levar choques. Temos várias fotos e relatos desses casos. É uma violência sem tamanho”.

O DOL entrou em contato com a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), que afirmou que irá encaminhar uma nota sobre o caso.

(Gustavo Dutra/DOL)

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