Uma pesquisa feita com usuários de drogas ilícitas no Pará e Amapá determinou as características sociais, demográficas, de saúde e uso de entorpecentes. Entre mais de 1000 dependentes químicos avaliados, foi contatado que 76,5% são homens, 60,8% estudaram até os dez anos, 66,1% tem renda mensal de até três salários mínimos, 88,6% se declararam heterossexuais, 13,2% já experimentaram drogas injetáveis, no mínimo, uma vez, e todos usavam drogas não injetáveis, como a maconha, pasta de cocaína, crack e cocaína.
Outro ponto forte da pesquisa foi às informações obtidas sobre a prevalência e fatores de risco das infecções por hepatite B e C entre os usuários. O Brasil é líder no hanking de infectados pelos vírus, geralmente, transmitidos por relação sexual e contato sanguíneo. Na Região Norte, a predominância está nos usuários de drogas.
‘’A prevalência de infecções pelo HBV(Hepatite B) e HCV(Hepatite C) entre usuários de drogas ilícitas é relativamente elevada, haja vista que as drogas utilizadas não são injetáveis. No Pará, até o momento, a prevalência de infecções pelo HBV é em torno de 31%, enquanto que pelo HCV está em torno de 28%’’, explica o professor Aldemir Branco de Oliveira Filho, do Instituto de Estudos Costeiros (IECOS) da Universidade Federal do Pará (UFPA) campus Bragança. Ele coordena o projeto de pesquisa intitulado “Aspectos epidemiológicos das infecções pelo HBV e HCV em usuários de drogas ilícitas no Amapá e no Pará, Norte do Brasil”.
No Pará, aproximadamente 900 usuários foram abordados nos municípios de Afuá, Almeirim, Anajás, Bagre, Belém, Benevides, Bragança, Breves, Capanema, Castanhal, Curralinho, Gurupá, Marabá, Marituba, Melgaço, Ponta de Pedras, Porto de Moz, Soure, Salvaterra e São Sebastião da Boa Vista. No Amapá, as coletas são coordenadas pelo professor Rafael Resque, da Universidade Federal do Amapá(UNIFAP). Cerca de 210 dependentes foram abordados nos municípios de Calçoene, Laranjal do Jari, Macapá, Mazagão, Oiapoque, Santana e Vitória do Jari. Segundo o professor Aldemir, novas coletas serão realizadas até o final de 2016.
CENTRO E PERIFERIA
A pesquisa foi realizada com usuários em centros de tratamento para dependência química. Participou quem utilizou alguma droga ilícita, por pelo menos três meses, estava consciente (sem efeito de drogas) e com idade igual ou superior a 18 anos.Em data pré-estabelecida com os coordenadores dos centros, uma equipe do projeto ministrou palestras sobre doenças infecciosas em vulneráveis.
Ao final, os usuários foram informados do estudo e convidados a participar da avaliação, por meio de coleta de sangue, e preenchimento de questionário epidemiológico.
Nos bairros periféricos, com maiores índices de comercialização de entorpecentes, a equipe usou de abordagem diferente. Com o auxilio de agentes comunitários, coordenadores de centros comunitários e dirigentes de ONG’s, famílias com dependentes químicos foram identificadas e abordadas. Em reunião, houve a divulgação dos objetivos do estudo, e feito o convite a colaborar com o desenvolvimento da pesquisa. Em data, horário e local agendado com as famílias dos dependentes, as informações e amostras de sangue foram coletadas.
(Diário do Pará)
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