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Conjunto convive com desperdício e falta de água

Enquanto as torneiras padecem com a falta de água, há vazamentos históricos na bomba que abastece o conjunto da Cohab, em Icoaraci, distrito de Belém. O problema já faz parte do cotidiano de milhares de pessoas, que já não aguentam mais o descaso da Saaeb

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Enquanto as torneiras padecem com a falta de água, há vazamentos históricos na bomba que abastece o conjunto da Cohab, em Icoaraci, distrito de Belém. O problema já faz parte do cotidiano de milhares de pessoas, que já não aguentam mais o descaso da Saaeb (Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Belém). Tentando amenizar o caos, os populares fazem em suas casas poços artesianos com recursos próprios, para escapar do transtorno.

Há 34 anos, a aposentada Valzita Almeida mora no conjunto. Ela reclama das dificuldades diárias com a falta de água nas suas torneiras. “Esse já é um problema de muitos anos. Desde quando comecei a morar aqui, as bombas apresentam vários problemas. Fazer as coisas de casa sempre é muito complicado. Temos que ir à casa do vizinho com o balde para pegar um pouco de água, pois lá tem poço”, lamentou.

De acordo com a aposentada, quando a água chega às torneiras é fraca e suja. “Passamos quase um mês sem água. E quando voltou estava em péssimas condições de consumo. Com ela, apenas lavamos o banheiro, a casa e as louças, pois fazer comida e até lavar roupa fica difícil. O meu corpo está cheio de micose. Tenho uma netinha de dois meses e, temos que comprar água mineral para ela tomar banho, já que a água da torneira não presta”, contou Valzita.

Ao se aproximar do local onde está a bomba que abastece o bairro, a reportagem percebeu diversas pessoas ao entorno. Revoltadas, elas viam a água jorrar pela tubulação com abundância, enquanto nas torneiras, nem sinal dela.

PREJUÍZOS

“Passamos mais de uma semana seguida sem água. Nossa vida ficou extremamente complicada durante esse mês, que a água ia e voltava. Na minha casa tivemos que comprar comida todo esse tempo, porque não tem condições de acumular muita louça na pia e cozinhar sem água. Enquanto isso, aqui na rua, a água não para de vazar perto da bomba”, disse, revoltado, o autônomo Armando Costa.

Segundo o morador, os populares ligam constantemente para o Saaeb, reclamando da falta de abastecimento, porém são informados que o trabalho está sendo realizado. “Todo tempo eles dizem que estão trocando a bomba, que fazem reparo. Mas isso é gasto de dinheiro e de tempo, pois o conjunto cresceu, o número de pessoas também, e o consumo de água triplicou. Eles devem fazer uma caixa nova, com bombas suficientes para não forçar e quebrar novamente. Não aguentemos mais".

Para evitar dor de cabeça, o jeito é cavar um poço.

(Diário do Pará)

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