Como o aroma adocicado das flores que enfeitam o local do sepultamento, a mensagem deixada pelo arcebispo emérito de Belém, Dom Vicente Zico, ainda marca presença na vida dos paraenses que o viam não apenas como um sacerdote, mas principalmente como um ser humano iluminado.
Depois de ter exercido a função de arcebispo da capital paraense por 14 anos e de fazer questão de permanecer na cidade mesmo depois de deixar o cargo, Dom Zico faleceu em Belém na tarde da última segunda-feira, mas deixou vivas mensagens que serão lembradas pelos católicos ainda por muito tempo.
Sob as mãos estendidas da imagem de Nossa Senhora das Graças, na lateral direita da Catedral Metropolitana de Belém, a sepultura de Dom Zico foi o lugar escolhido para as orações da aposentada Raimunda da Glória na manhã da última sexta-feira.
De joelhos diante do local ainda tomado por coroas de flores, a senhora de 68 anos fez questão de reavivar em oração os ensinamentos proferidos pelo arcebispo durante as celebrações em que participou.
“Ele deixou uma mensagem de fé para o povo. A gente sabe que ele foi muito mais do que um arcebispo. Ele foi deste mundo pedindo a unidade da igreja, a fraternidade...”, recorda.
“E nós que ficamos vamos sempre lembrar do que ele fez e do que ele ainda pode fazer por todos nós junto a Cristo”.
Presente também no velório realizado durante a semana, Raimunda vê no carinho dos paraenses que lotaram a igreja para se despedir de Dom Zico o seu principal legado.
“Ele era uma pessoa realmente iluminada. Tenho certeza que agora ele está diante de Deus intercedendo pelo seu povo”, tem fé. “Belém toda se mobilizou para dar o último adeus a ele, com certeza a mensagem dele continuará viva. Ele foi um representante de Cristo na terra”.
Ainda que as palavras exatas lhe faltem na hora de descrever o que o arcebispo emérito representou, a encarregada de limpeza Cleide de Jesus Nascimento tem a certeza do sentimento provocado pela presença de Dom Zico.
“Ele passava muita coisa boa pra gente, não é à toa que ele esteve com a gente por muitos e muitos anos. Eu tive a oportunidade de ver ele muitas vezes, no Círio, nas missas”, recorda.
“Ele sempre vai ficar na lembrança dos paraenses, não importa o tempo que passar. Ele sempre quis ficar aqui e mesmo depois da morte ele vai continuar aqui sempre presente. O carinho que ele tinha pelo Estado sempre foi correspondido”.
Um dos responsáveis pela manutenção e limpeza da Igreja da Sé há 29 anos, Manoel Xavier não esconde a emoção por ter tido a oportunidade de conviver com o arcebispo. Para ele, acima de qualquer coisa, ficará marcada a humildade mantida por Dom Zico em todas as ocasiões.
“Onde ele passava falava com todo mundo. Os que ele não podia falar, abençoava de longe”, lembra. “Onde ele passava as pessoas gritavam ‘Dom Zico, Dom Zico’ e ele se virava e abençoava”.
Com o auxílio de outros funcionários da igreja, Manoel ajudou a preparar a sepultura que recebeu o corpo do arcebispo na quarta-feira. No momento em que realizava a abertura do local, um raio de sol entrou por uma das janelas laterais da igreja e iluminou o trabalho.
Para Manoel, um sinal de que Dom Zico era realmente uma pessoa especial. “Ele vai estar sempre por perto”.
Sucessor de Dom Zico na arquidiocese de Belém, o cardeal do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, também falou sobre o legado que o arcebispo emérito deixou no coração de muitos paraenses. Em sua rede social, Dom Orani publicou que a voz de Dom Zico “continuará ressoando vigorosa nos corações que o ouviram falar apaixonadamente sobre Cristo, a Igreja e Nossa Senhora de Nazaré”, disse, ainda no dia do falecimento.
“Os dons que Dom Vicente Zico recebeu de Deus serviram como canal da graça para tantas pessoas no decorrer de sua vida. Ele foi um autentico servidor do Evangelho de Jesus Cristo”.
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(Diário do Pará)
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