Flores e velas em mãos, a dificuldade de encontrar o local da homenagem passa pela grande quantidade de mato que, já grande, chega a encobrir algumas sepulturas do Cemitério do Tapanã. Impossibilitada de dar um abraço na mãe no dia destinado a elas, a doméstica Celina da Silva também teve retirado o direito de prestar a homenagem póstuma em um local minimamente cuidado. “A gente vem pra prestar uma homenagem pra nossa mãe no Dia das Mães e nem consegue encontrar a sepultura porque o mato já tá encobrindo tudo”.
Bastante movimentado pela presença dos parentes que fizeram questão de homenagear as mães já mortas, o Cemitério do Tapanã foi encontrado em condições precárias na manhã de ontem. Desde o início do local destinado às sepulturas, o mato alto e o lixo acumulado já podiam ser vistos.
“É importante lembrar de quem sempre viveu do lado da gente, de quem deu a vida pra gente”, considera Celina, visivelmente emocionada. “Eu sou muito grata à minha mãe e por isso faço questão de vir aqui todos os anos. É uma pena que tudo esteja tão mal cuidado. Já tô até pagando um lugar pra fazer a transferência do corpo dela porque aqui não tem condições”.
Mesmo tendo perdido a mãe há apenas um mês, a situação encontrada pelas irmãs Claudete e Claudinete Braga não foi muito diferente. Apesar de muito próxima da rua principal do cemitério, a sepultura também estava tomada pelo mato. “Não é fácil a gente ver o local onde está enterrada a mãe da gente no meio do mato”, lamentava Claudinete, que logo pagou um senhor para que capinasse o local.
LEMBRANÇAS
Concluído o serviço contratado no próprio local, as irmãs então puderam concluir a homenagem pretendida. “Nós perdemos ela (mãe) muito rápido e dói muito, mas ficam as lembranças dos bons momentos”, considerava Claudete.
Para conseguir chegar até a sepultura da mãe, a dona de casa Alice do Socorro teve que, primeiro, pisar em amontoados de terra e desviar do mato e do lixo. Moradora do bairro da Pedreira, a distância nunca foi problema quando se trata de homenagear a mãe querida. “Eu venho todo ano no Dia das Mães homenagear ela. Infelizmente agora essa é a única homenagem que podemos fazer agora”, disse, lembrando dos bons momentos vividos com a mãe. “Quando ela estava viva ela adorava muito o Dia das Mães, sempre fazia aquele tradicional almoço...”.
(Diário do Pará)
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