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Famílias entregam cheque e não recebem material

Muitas famílias dos municípios de Primavera e Quatipuru vêm sendo vítima de golpe aplicado pela Quaresma Construções, que capta beneficiários do Programa “Cheque Moradia” do governo do Estado através de falsas promessas, se apresentando como a única crede

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Muitas famílias dos municípios de Primavera e Quatipuru vêm sendo vítima de golpe aplicado pela Quaresma Construções, que capta beneficiários do Programa “Cheque Moradia” do governo do Estado através de falsas promessas, se apresentando como a única credenciada na região autorizada pela Companhia de Habitação do Estado (Cohab) a receber o benefício.

Só que a maioria dos beneficiários deram o cheque, mas até o momento não receberam sequer um tijolo da Quaresma. O governo do Pará, através da Cohab, informa não ter qualquer controle sobre as empresas que fornecem o material de construção aos beneficiários, o que facilita a fraude.

Segundo as ações que tramitam na Justiça, a prática estaria ocorrendo desde agosto de 2014, antes da eleição. O golpe ocorre a partir da captação de beneficiários do programa: a proprietária da Quaresma, Ana Maria Barros Quaresma, espalhou na cidade que sua empresa é a única que na região, autorizada pela Cohab e pelo governo do Estado a receber o Cheque Moradia.

Pela denúncia, o golpe não se resume a receber o cheque não entregar o material: a proprietária da Quaresma Construções propaga nos municípios que, para receber o material de construção descrito no contrato do assinado pelo beneficiário, os mesmos deveriam “destruir” as suas residências com a finalidade de desobstruir a área onde deverá ser construída a nova casa.

A situação revoltou as pessoas prejudicadas pelo golpe, que desde março passado iniciaram um movimento para acionar a empresa, a Cohab e Estado na Justiça, com a finalidade de tentar uma reparação aos danos causados. Em Primavera, o programa é administrado pela prefeitura em conjunto com a Cohab.

Várias ações já tramitam na comarca de Primavera e estão sendo apreciadas pelo juiz Charles Claudino Fernandes, que já concedeu liminar favorável a Marizete Gomes Aguiar, uma das cidadãs prejudicadas com o esquema, que processa a empresa, o Estado do Pará e a Cohab pelo prejuízo. Ela narra no processo que foi contemplada no programa Cheque Moradia recebendo um cheque no valor de R$ 7.800,00.

Segundo Marizete, João Quaresma fez uma reunião no dia 28/08/2014 em Quatipuru para divulgar sua participação no projeto. No mesmo dia, ela entregou o cheque a João com a lista de materiais que seriam entregues em sua residência. No entanto, do material listado, recebeu apenas umas pedras.

Ela conta que destruiu sua residência incentivada pela dona da empresa e hoje mora de aluguel. O juiz determinou que a Quaresma Construções entregasse num prazo de 15 dias o material prometido sob pena de multa de R$ 350,00 por dia de atraso.

Em agosto do ano passado, a aposentada Benedita Cândida, de 60 anos, deu para João Quaresma, representante da Quaresma Construções, seu cheque moradia no valor de R$ 6,6 mil com a promessa de que a empresa lhe enviaria todo o material necessário para a construção da sua casa. Hoje, nove meses depois, recebeu apenas três milheiros de tijolo, 10 sacas de cimento, duas dúzias de tábua branca, meia dúzia de ripão e dois quilos de prego.

“Isso não é nem de perto o que eles tinham que mandar. Falta telha, mais madeira e muito mais cimento. O que chegou só deu para levantar as paredes da casa. Não fiz nada por dentro. A casa não tem telhado”, reclama a aposentada.

A mãe do pedreiro José Guilherme da Silva Martins deu à Quaresma um cheque de R$ 7,1 mil com a promessa de que em 15 dias receberia o material de construção.

Nove meses depois, só chegaram 10 sacas de cimento, cinco varas de ferro e poucos blocos, insuficientes até mesmo para iniciar a obra, já que nem tijolo há.

“O pior é que chegou em casa um comunicado da prefeitura de Primavera cobrando a finalização da primeira etapa da obra, mas como terminar se não temos material? O segundo cheque só é liberado se for comprovada a conclusão da primeira fase da obra. E agora?”, questiona.

LEIA MAIS:

Cohab se exime das responsabilidades

Programa teve uso eleitoreiro

(Diário do Pará)

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