A oposição na Assembleia Legislativa (AL) do Pará condenou publicamente a nomeação de Nilo Noronha como novo secretário de Estado de Fazenda no último dia 28 de maio pelo governador Simão Jatene, que acatou indicação pessoal da filha, Izabela Jatene. Ela, junto com o agora titular da Sefa, são os personagens principais no “escândalo do dinheirinho”, revelado em setembro do ano passado, poucas semanas antes da eleição para o governo do Estado.
Noronha era subsecretário da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) quando manteve uma conversa telefônica com Izabela Jatene grampeada legalmente pela Polícia Civil, em 2011. O fato se tornou público através de matéria do DIÁRIO. Na conversa, a então coordenadora do Pro-Paz, Izabela Jatene pede a Noronha que lhe passe por e-mail a lista das 300 maiores empresas em atuação no Pará, para “buscar esse dinheirinho deles”. Apesar de todo o desgaste provocado pela revelação dessa conversa, Izabela pressionou o pai e conseguiu a nomeação de Noronha para a Sefa.
Para o deputado Carlos Bordalo (PT), o governador tem a prerrogativa e a autonomia para indicar quem quiser para compor o seu staff, mas que o chefe do Executivo deveria ter mais cuidado com suas escolhas. “É, no mínimo, inadequado e questionável nomear para a Secretaria da Fazenda uma pessoa alvo de suspeita gravíssima de corrupção, embora ainda não provada”.
CPI
Bordalo lembra que o fisco estadual é o coração da administração pública e precisa ser comandado por quadros acima de qualquer suspeita. “Apesar da sua notória competência, dr. Nilo teve seu nome envolvido nesse episódio lamentável que deveria ter sido investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que foi proposta por mim na Assembleia, e que só não avançou porque deputados tiraram seu nome do requerimento em cima da hora. A base aliada engavetou a solicitação”, relembra.
O então deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSol) apresentou um pedido de apuração do caso pelo Ministério Público do Pará (MP-PA) também em setembro. A assessoria do MP-PA foi procurada mas não deu retorno sobre o andamento das investigações conduzidas pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa.
Fontes palacianas confirmam que a nomeação de Nilo Noronha foi indicação direta de Izabela, nomeada pelo pai para comandar a recém-criada Secretária extraordinária de Integração de Políticas Sociais.
O deputado José Scaff (PMDB) ressalta que, independente de sua capacidade técnica, Noronha expôs seu nome e o da própria Sefa no episódio do “dinheirinho” por uma situação gerada pela filha do governador. “Não resta dúvida que a Izabela Jatene maculou a imagem do titular da Sefa e a carreira de auditor fiscal de Nilo Noronha de maneira muito negativa”.
Segundo o peemedebista, com a nomeação de Nilo Noronha, o governador Simão Jatene deixa transparecer que o esquema denunciado pelo DIÁRIO continuará inalterado sob o comando de sua filha. ”A situação é bastante delicada e o nome dele não seria o mais adequado para gerir a arrecadação do Estado neste momento”, concluiu o deputado.
(Diário do Pará)
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