Principal programa assistencial do Governo do Pará, e usado como nunca às vésperas do primeiro e segundo turnos das eleições que conduziram Simão Jatene à reeleição para governador no ano passado, o Cheque-Moradia, continua provocando falsas expectativas nas pessoas que fizeram o cadastro. Após receber a primeira parte no valor de R$ 7,500, em dezembro de 2014, a dona de casa Francilene Maia de Oliveira, de 41 anos, volta a ter problemas com a concessão do benefício. Desta vez, a dificuldade está no pagamento da segunda parcela, que segundo ela lhe foi negada pelos técnicos da Companhia de Habitação do Estado (Cohab), no dia 25 de maio, data prevista para ajustar os trâmites do pagamento da segunda quantia, que também seria de R$ 7.500.
Desempregada, Franciele mora com três netos, que foram abandonados pela mãe, que é usuária de drogas. Quanto aos pais, um está preso e o outro foi assassinado. Além das dificuldades familiares, a dona de casa permanecia em dois cômodos de madeira, em condições precárias, na passagem 16 de novembro, na comunidade São Marinho, no bairro da Cabanagem, em Belém, sobrevivendo apenas do Bolsa Família e da ajuda da igreja em que frequenta.
Dentro do perfil exigido pelo programa estadual, a dona de casa deu entrada no cheque- moradia, em 2013 - antes do período eleitoral, em 2014 – e enfrentou dificuldades. “Passei um tempo para receber e os meus vizinhos que fizeram os cadastros apenas perto das eleições receberam logo. Em dezembro do ano passado, depois que saiu a minha matéria no DIÁRIO, a Cohab me deu o cheque, no Hangar”, lembrou.
Ao receber o benefício, ela foi instruída por um engenheiro do órgão a seguir um projeto para erguer sua casa. Mas com o valor recebido, não pode efetuar o cronograma, e por isso, teve a segunda parcela negada.
“Eles queriam que eu fizesse dois quartos, uma cozinha e uma sala. Bem que eu queria, mas não teve como. Só a saca do cimento, quando é comprada no cheque, é R$50 na estância. Fiz dois compartimentos. Por eles era pra eu destruir a casa, e fazer como eles mandaram. Só que não tinha onde morar. E fiz na parte do terreno da frente”, explicou.
“No dia 25 de maio, quando estive na Cohab o engenheiro disse que eu não iria receber, porque não fiz o projeto. Só que o dinheiro que recebi não tinha como fazer tudo. A parte de trás enche e só fiz levantar a frente. Eu não trabalho e não tenho como terminar. Falei com a assistente social, ela disse que não poderia fazer nada. Minha vizinha que foi comigo vai receber, e eu não”, concluiu, emocionada.
(Diário do Pará)
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